sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Quem me dera que eu fosse o pó da estrada





Quem me dera que eu fosse o pó da estrada
E que os pés dos pobres me estivessem pisando...

Quem me dera que eu fosse os rios que correm
E que as lavadeiras estivessem à minha beira...

Quem me dera que eu fosse os choupos à margem do rio
E tivesse só o céu por cima e a água por baixo...

Quem me dera que eu fosse o burro do moleiro
E que ele me batesse e me estimasse...

Antes isso que ser o que atravessa a vida
Olhando para trás de si e tendo pena...



Alberto Caeiro



14 comentários:

  1. OI MARIA!
    QUE ESCOLHA LINDA, ADOREI.
    ABRÇS
    http://zilanicelia.blogspot.com.br/

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  2. Um poema de uma alma constantemente atormentada.
    Bfds

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  3. Quem me dera que eu fosse o visitante ignoto
    que tivesse só a esperança que alguém estivesse em casa .
    Abraços

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  4. Um poema de angústia extrema.
    Mas há quem se sinta assim, exactamente.
    Bom fim de semana, amiga Maria.
    Beijo.

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  5. Obrigada por compartilhar esse lindo poema Maria.
    Grande beijo e desde já um ótimo final de semana.

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  6. Um poema bem tocante Maria Rodrigues!
    Bjs e um feliz final de semana.
    Carmen Lúcia.

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  7. Valorizar o que somos, o que sofremos, o que nos alegramos, é ter noção da nossa pequenez. Digo, a contraponto: quem me dera saber ser.
    Boa escolha esta.


    Beijo, Maria
    SOL da Esteva

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  8. Fernando Pessoa e seus heterônimos, genial!

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  9. Que lindo...quem me dera ser tudo isso..menos sentir pena do que já passou!


    bj

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  10. O Alberto Caeiro sempre foi o meu heterónimo favorito do Pessoa, mas por acaso não conhecia este poema.
    Bom fim de semana!

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  11. Buscar el sentido de la vida
    seguro que al final de ella se comprende lo que ha sido vivir.

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“Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós” (Antoine de Saint-Exupery).

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