No plano abandonado
Que a morna brisa aquece,
De balas trespassado
— Duas, de lado a lado —,
Jaz morto e arrefece.
Raia-lhe a farda o sangue.
De braços estendidos,
Alvo, louro, exangue,
Fita com olhar langue
E cego os céus perdidos.
Tão jovem! que jovem era!
(Agora que idade tem?)
Filho único, a mãe lhe dera
Um nome e o mantivera:
«O menino da sua mãe».
Caiu-lhe da algibeira
A cigarreira breve.
Dera-lha a mãe. Está inteira
E boa a cigarreira.
Ele é que já não serve.
De outra algibeira, alada
Ponta a roçar o solo,
A brancura embainhada
De um lenço... Deu-lho a criada
Velha que o trouxe ao colo.
Lá longe, em casa, há a prece:
«Que volte cedo, e bem!»
(Malhas que o império tece!)
Jaz morto, e apodrece,
O menino da sua mãe.
Que a morna brisa aquece,
De balas trespassado
— Duas, de lado a lado —,
Jaz morto e arrefece.
Raia-lhe a farda o sangue.
De braços estendidos,
Alvo, louro, exangue,
Fita com olhar langue
E cego os céus perdidos.
Tão jovem! que jovem era!
(Agora que idade tem?)
Filho único, a mãe lhe dera
Um nome e o mantivera:
«O menino da sua mãe».
Caiu-lhe da algibeira
A cigarreira breve.
Dera-lha a mãe. Está inteira
E boa a cigarreira.
Ele é que já não serve.
De outra algibeira, alada
Ponta a roçar o solo,
A brancura embainhada
De um lenço... Deu-lho a criada
Velha que o trouxe ao colo.
Lá longe, em casa, há a prece:
«Que volte cedo, e bem!»
(Malhas que o império tece!)
Jaz morto, e apodrece,
O menino da sua mãe.


Um dos meus poemas favoritos.
ResponderEliminarDe uma beleza excepcional.
Bonito poema!
ResponderEliminarIsabel Sá
Brilhos da Moda
Somente Portugl tem do brilhante Fernando Pessoa um baú cheio de poemas inesquesíveis lindos no seu posse .
ResponderEliminaraaços
Um excelente poema de Fernando Pessoa.
ResponderEliminarUm abraço e boa semana.
Andarilhar
Dedais de Francisco e Idalisa
O prazer dos livros
Uau! Que bonito! Amei
ResponderEliminarBeijos e um excelente dia.
Bom dia querida amiga!
ResponderEliminarA morte, separação que a meu entender é temporária, pode ser vista de duas maneiras...o afastar-se de alguém, na ótica de quem fica...e o chegar do ser querido no cais do porto dos que já se foram antes, e o esperam para abraçá-lo na Eternidade.
Uma doce semana!
Bíndi e Ghost
Um poema bem reflexivo Maria Rodrigues!
ResponderEliminarBjs-Carmen Lúcia.
Este poema já o declamei em público.
ResponderEliminarÉ emotivo e muito belo.
Beijinhos
:)
Gosto muito deste poema!
ResponderEliminarBjs
María maravillosa poesía bien acompañada con esos magníficos cuadros.
ResponderEliminarSaludos.
Fernando Pessoa grande poeta! Retrata a vida miserável desse menino e sua mãe de forma bela, Parabéns pela partilha. Bela escolha amiga. Abraços com desejos de uma noite de paz.
ResponderEliminarBoa escolha
ResponderEliminarhttp://retromaggie.blogspot.pt
Um poema emotivo, um pouco triste, mas dito de um jeito tão poético que o torna especial.
ResponderEliminarBeijos.
Um poema belíssimo, que adorei reler por aqui... e com um suporte de imagem super bem escolhido, para o mesmo!
ResponderEliminarSempre em bom, por aqui, Maria!
Beijinhos
Ana
Una forma de ver la vida
ResponderEliminary denunciar su esencia donde es necesario.