quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Chuva de vento



De que distância
chega essa chuva
de asas, tangida
pela ventania?

Vem de que tempo?
Noturna agora
a chuva morta
bate na porta.

(As biqueiras da infância, as lavadeiras
correm, tiram as roupas do varal,
relinchos do cavalo na campina,
tangerinas e banhos no quintal,
potes gorgolejando, tanajuras,
os gansos, a lagoa, o milharal.)

De onde vem essa
chuva trazida
na ventania?

Que rosas fez abrir?
Que cabelos molhou?

Estendo-lhe a mão: a chuva fria.


Mauro Mota


5 comentários:

  1. O poema é belo, a chuva irrita-me solenemente.

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  2. Ótima escolha, linda poesia! beijos, tudo de bom,chica

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  3. Bem diferente e maravilhoso poetar de Mauro Mota.
    Bjs Maria Rodrigues e obrigada pela visita.
    Carmen Lúcia.

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  4. Querida Maria
    Numa altura em que tanto precisamos de chuva, escolheu muitíssimo bem o poema a publicar.
    Oxalá ela venha depressa.
    Obrigada por partilhar.
    Um beijinho
    Beatriz

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  5. E como a chuva já é tão desejada, por estes dias!... :-(
    Faz falta, e é sinónimo de vida!...
    Gostei imenso do poema, de um autor que não conhecia!
    Beijinhos
    Ana

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“Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós” (Antoine de Saint-Exupery).

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