quinta-feira, 22 de julho de 2010

Lagrima de Preta - António Gedeão



Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.
Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.

Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.

Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.

Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:

nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.

António Gedeão


Todos diferentes, Todos iguais!

5 comentários:

  1. Maravilhoso e muito feliz....se bem que..
    todo o Trabalho de Gedeão é soberbo.
    Beijo

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  2. Querida vim te agradecer o selinho...adorei...acabei de postar lá no Blog...beijinhos...
    Valéria

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  3. As igualdades são compostas de diferentes partículas para formar o todo. Gostei do seu bjo do tamanho do infinito, mto legal, seu post foi mto iluminado vc fez uma escolha de luxo, pra vc minha linda bjos, bjos e bjossssssssssssss

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  4. Este poema...está sempre actual! lembro-me de o ler pela primeira vez era eu estudante...com colegas de várias raças...fiz, na práctica a experiência de Gedeão e cheguei à mesma conclusão que ele: TODOS IGUAIS!
    Beijo amigo
    Graça

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  5. Olá Maria!
    As Lágrimas e o sangue são iguais, e as pessoas também, só alguns menos inteligentes, é que acham as outras diferentes.

    Beijinho grande,
    José.

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“Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós” (Antoine de Saint-Exupery).

Obrigado pela sua visita e pelo carinho que demonstrou, ao dispensar um pouco do seu tempo, deixando aqui no meu humilde cantinho, um pouco de si através da sua mensagem.

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