19/02/2017

Dois Lirios - Poema de Alphonsus de Guimaraens




Seremos como dois lírios enfermos
Que morrem numa jarra abandonada.
O acaso nos mostrou a mesma estrada
E sonhamos ao luar dos mesmos ermos.

Abençoou-nos o mesmo azul sem termos,
Ao descambar da véspera sagrada.
E hei de ter, e terás, ó bem-amada,
Tranquilidade e paz para morrermos.

Ah! tu bem sabes que não tarda o outono...
Perder-nos-emos pela escura brenha,
Para ínvios sertões do eterno sono.

E que nos baste, amor, termos vivido
Em meio destes corações de penha
Sem o lamento inútil de um gemido!

Alphonsus de Guimaraens

7 comentários:

  1. A poesia de Alphonsus, talvez em parte reflexo do que a vida e a época lhe deram, é sempre assim, esse misto quase indecifrável de beleza (beleza, certamente) e crueza mortal. Confesso que às vezes o admiro - nunca como a Cruz e Souza - e às vezes me lamento de tamanha morbidez. Nesse poema, prevalece a admiração porque a beleza é muita. Um abraço

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  2. Belo poema, um pouco triste!
    Desejo belo domingo, Maria!
    Beijá-lo, abraçá-lo e obrigado pela visita!

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  3. Morrer em beleza não existe, temos que seguir o caminho imposto .
    Mas a jarra com lírios é linda .
    Abraço

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  4. Excelente escolha a sua. Parabéns. Adorei

    Beijo. Bom Domingo

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  5. Um enlevo ler versos tão belos a marcar o amor no compasso dos belos versos
    Beijos e um ótimo domingo

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“Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós” (Antoine de Saint-Exupery).

Obrigado pela sua visita e pelo carinho que demonstrou, ao dispensar um pouco do seu tempo, deixando aqui no meu humilde cantinho, um pouco de si através da sua mensagem.

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