sábado, 24 de outubro de 2015

A Corrente




Lá vão as folhas secas na corrente...
Lá vão as folhas soltas das ramadas...
Hastes envelhecidas e quebradas
galgando as asperezas da vertente.

A cheia arrasa os frutos e a semente,
a terra inculta, as várzeas fecundadas,
e vai perder-se ao longe, nas quebradas,
numa fúria cruel e inconsciente.

Em nós ainda é mais funda, ainda é mais vasta,
esta ansiedade enorme e sem perdão,
que nos fere, nos tolhe e nos devasta...

As árvores desprendem-se e lá vão...
Mas nós ficamos porque nada arrasta
as raízes fiéis dum coração.


Fernanda de Castro 

                    

7 comentários:

  1. Hello Maria,
    Nice words with a wonderful image. Great.

    I wish you a nice weekend,
    Marco

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  2. Bom dia, Maria Rodrigues
    Poema maravilhoso!! Adorei :-)

    Beijo, bom fim de semana

    http://coisasdeumavida172.blogspot.pt/

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  3. Maria, bela ode de Fernanda de Castro, que podemos atribuir ao Outono.
    beijos

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  4. Oi Maria
    Que se essa corrente que leva as folhas caídas também levasse as dores do coração
    Belíssimo poema
    Um ótimo domingo para você
    Beijos

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  5. Olá Maria, uma visita por aqui e já me encantei com o seu cantinho.
    Beijos

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“Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós” (Antoine de Saint-Exupery).

Obrigado pela sua visita e pelo carinho que demonstrou, ao dispensar um pouco do seu tempo, deixando aqui no meu humilde cantinho, um pouco de si através da sua mensagem.

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