terça-feira, 8 de dezembro de 2015

O Mar jaz




O mar jaz. Gemem em segredo os ventos
Em Éolo cativos,
Apenas com as pontas do tridente
Franze as águas Neptuno,
E a praia é alva e cheia de pequenos
Brilhos sob o sol claro.
Eu quisera, Neera, que o momento,
Que ora vemos, tivesse
O sentido preciso de uma frase
Visível nalgum livro.
Assim verias que certeza a minha
Quando sem te olhar digo
Que as cousas são o diálogo que os deuses
Brincam tendo connosco.
Se esta breve ciência te coubesse,
Nunca mais julgarias
Ou solene ou ligeira a clara vida,
Mas nem leve nem grave,
Nem falsa ou certa, mas assim, divina
E plácida, e mais nada.


Ricardo Reis, "Odes"
Heterónimo de Fernando Pessoa


7 comentários:

  1. Grande Fernando Pessoa! Belíssimo poema Maria! Parabéns!

    Abraços,

    Furtado.

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  2. Bom dia
    Um Poema muito bonito. Parabéns pela escolha.

    Bom feriado, beijinhos

    http://coisasdeumavida172.blogspot.pt/

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  3. O mar... sempre inspirando os grandes poetas nas suas belíssima criações
    Uma tarde linda Maria
    Beijos

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  4. De todos os heterónimos de Fernando Pessoa Alberto Caeiro é o meu preferido. Ricardo Reis o que menos me diz.
    Abraço

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  5. Gosto muito de Fernando Pessoa!

    Um beijinho Maria

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  6. Cada vez, que passo por aqui... vou sempre achando aqui este blogue ainda mais bonito!...
    E bem a condizer... as palavras igualmente fascinantes de Pessoa!
    Mais uma grande escolha, Maria!
    Beijinhos
    Ana

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“Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós” (Antoine de Saint-Exupery).

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