sábado, 29 de setembro de 2012

Qual tem a borboleta por Costume - Luis Vaz Camões



Foto: (Desconheço autoria)



Qual tem a borboleta por costume,
Que, enlevada na luz da acesa vela,
Dando vai voltas mil, até que nela
Se queima agora, agore se consume,

Tal eu correndo vou ao vivo lume
Desses olhos gentis, Aónia bela;
E abraso-me por mais que com cautela
Livrar-me a parte racional presume.

Conheço o muito a que se atreve a vista,
O quanto se levanta o pensamento,
O como vou morrendo claramente;

Porém, não quer Amor que lhe resista,
Nem a minha alma o quer; que em tal tormento,
Qual em glória maior, está contente.
 

Luis Vaz Camões





4 comentários:

  1. Correndo o risco de ser considerada hereje, Camões não é dos poetas que mais aprecio.
    Um abraço e bom fim de semana

    ResponderEliminar
  2. Um poema esfuziante desse que é o ícone maior da literatura portuguesa.
    Um abraço amiga, um beijo em teu coração.

    ResponderEliminar

“Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós” (Antoine de Saint-Exupery).

Obrigado pela sua visita e pelo carinho que demonstrou, ao dispensar um pouco do seu tempo, deixando aqui no meu humilde cantinho, um pouco de si através da sua mensagem.

Topo