domingo, 29 de agosto de 2010

Contemplo o que não Vejo - Poema de Fernando Pessoa





Contemplo o que não vejo.
É tarde, é quase escuro.
E quanto em mim desejo
Está parado ante o muro.

Por cima o céu é grande;
Sinto árvores além;
Embora o vento abrande,
Há folhas em vaivém.

Tudo é do outro lado,
No que há e no que penso.
Nem há ramo agitado
Que o céu não seja imenso.

Confunde-se o que existe
Com o que durmo e sou.
Não sinto, não sou triste.
Mas triste é o que estou.

Fernando Pessoa



3 comentários:

  1. Querida amiga, Fernando Pessoa, sempre escrevendo poesias tristes, mas sempre lindas...Tenha um lindo final de semana...Beijocas

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  2. Fernando Pessoa e a sua maneira de sentir a vida:)))


    Beijo,

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  3. Minha querida Maria
    Sempre a melancolia de Pessoa, que eu adoro.

    Beijinhos com carinho
    Sonhadora

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“Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós” (Antoine de Saint-Exupery).

Obrigado pela sua visita e pelo carinho que demonstrou, ao dispensar um pouco do seu tempo, deixando aqui no meu humilde cantinho, um pouco de si através da sua mensagem.

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