sábado, 26 de setembro de 2020

Janelas - Poema de Mia Couto




Demoro
a fechar janelas
porque me dói
a vida entre dentro e fora.

Meu gesto lento,
sem antes nem depois,
desconhece se abre ou se fecha
a janela de uma outra janela.

Sem longe nem perto,
entre sombra e além,
na casa onde meu corpo começa,
sou eu mesmo a terra que contemplo.

Depois do vidro,
perdida da sua própria imagem,
a paisagem ainda mora toda em mim.
E eu, já, nela.

Mia Couto



11 comentários:

  1. Mia Couto tem uma forma tao peculiar de versejar...
    : )

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  2. Es una poesía muy bella que la acompañaste con una imagen especial.

    Saludos.

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  3. Grata pela partilha. Gosto imenso da poesia de Mia Couto.
    Abraço, saúde e bom domingo

    À margem:
    Já tenho o computador em casa, mas em 6 horas já se encerrou 8 vezes o que quer dizer que se não está melhor está pouco melhor apesar de desta vez eles me dizerem que substituíram uma peça. Noto diferenças, está mais rápido e o ecrã de encerrar voltou a ser azul. Passara a ser verde quando o problema começou. Vamos ver como se porta amanhã, mas se continuar assim, volta para lá na segunda-feira.

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“Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós” (Antoine de Saint-Exupery).

Obrigado pela sua visita e pelo carinho que demonstrou, ao dispensar um pouco do seu tempo, deixando aqui no meu humilde cantinho, um pouco de si através da sua mensagem.

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