quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

✍ Surdina - Poema de Cecília Meireles




Quem toca piano sob a chuva,
na tarde turva e despovoada?
De que antiga, límpida música
recebo a lembrança apagada?

Minha vida, numa poltrona
jaz, diante da janela aberta.
Vejo árvores, nuvens, - e a longa
rota do tempo, descoberto.

Entre os meus olhos descansados
e os meus descansados ouvidos,
alguém colhe com dedos calmos
ramos de som, descoloridos.

A chuva interfere na música.
Tocam tão longe! O turvo dia
mistura piano, árvore, nuvens,
séculos de melancolia ...


Cecília Meireles


12 comentários:

  1. Mais uma vez a vida em pausa, não é?
    Melhores dias virão.
    Bjs

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  2. Poema lindíssimo que me deliciou ler. Gostei da "viagem" poética.
    .
    Pensamentos e Devaneios Poéticos
    .
    Abraço

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  3. I love these The rain interferes with the music.
    Nice poem, Maria.

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  4. Um belo poema.
    Já aqui disse por várias vezes que gosto imenso da poesia de Cecília Meireles
    Abraço e saúde

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  5. Un poema melancólico como los días lluviosos.

    Saludos.

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  6. Maravilhosa publicação, como sempre!
    --
    Sonhos guardados, matizados...
    -
    Beijo, e uma óptima noite :)

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  7. Lindo lindo este poema ♥♥
    Maria, desejo-lhe um fim-de-semana feliz, com saúde e em segurança.
    Beijinhos

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  8. Precioso poema María, un placer leerlo. Feliz fin de semana. Besos.

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  9. Thank you for this wonderful image and poem.

    All the best Jan

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  10. En todo momento podemos sacar ese brillo a la vida en lo que nos ofrece la natura cada día...

    abrazos.

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  11. Sempre um prazer imenso, apreciar um pouco mais, deste universo de pura sensibilidade, que são os versos de Cecília!...
    Beijinhos
    Ana

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“Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós” (Antoine de Saint-Exupery).

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