terça-feira, 24 de novembro de 2020

Dez Réis de Esperança - António Gedeão




Se não fosse esta certeza
que nem sei de onde me vem,
não comia, nem bebia,
nem falava com ninguém.
Acocorava-me a um canto,
no mais escuro que houvesse,
punha os joelhos á boca
e viesse o que viesse.
Não fossem os olhos grandes
do ingénuo adolescente,
a chuva das penas brancas
a cair impertinente,
aquele incógnito rosto,
pintado em tons de aguarela,
que sonha no frio encosto
da vidraça da janela,
não fosse a imensa piedade
dos homens que não cresceram,
que ouviram, viram, ouviram,
viram, e não perceberam,
essas máscaras selectas,
antologia do espanto,
flores sem caule, flutuando
no pranto do desencanto,
se não fosse a fome e a sede
dessa humanidade exangue,
roía as unhas e os dedos
até os fazer em sangue.

António Gedeão

10 comentários:

  1. Neste momento precisamos muito mais do que dez reis de esperança. Gostei de ler
    Abraço e saúde

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  2. Hi Maria, nice poem. Have a nice evening. Greetings Caroline

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  3. QUE DEUS ILUMINE AS NAÇÕES QUE,EM BREVE, NOS SALVARÃO DO CORONAVIRUS!
    VENHA TORCER CONOSCO NO BLOG DO SEU ANTIDO SEGUIDOR: "MUSICA É FELICIDADE".
    OK?
    UM ABRAÇÃO CARIOCA.

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  4. Olá amiga Maria!
    Belíssimo poema do grande António Gedeão!
    Obrigada, pela excelente partilha que aqui nos deixas.
    Continuação de ótima semana!
    Beijinhos!

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  5. Un poema que nos marca caminos a la esperanza.

    Saludos.

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  6. A very nice poem, thank you for posting it here.

    All the best Jan

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“Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós” (Antoine de Saint-Exupery).

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