sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

Convite - Poema de Gilberto Mendonça Teles




Vem comigo para dentro 
da palavra multidão:
de mãos dadas somos vento,
somos chuva de trovão.

Se uma andorinha sozinha

não pode fazer verão, 
vem comigo mais ainda 
para dentro da expressão. 

Cada letra tem seu ninho 

de palavras no porão:
vem tirá-las de seu limbo, 
vem fazer tua oração. 

Dentro de cada palavra,

no seu timbre e elocução, 
saberás de peixe, cabra, 
de liberdade e quinhão. 

E até na palavra nova, 

bliro, ilhaval e zirlão 
alguma coisa se dobra, 
tem sentido a sedução. 

Pega portanto uma letra, 

pega a palavra invenção
e transforma em borboleta 
um risco arisco no chão.

É no centro da linguagem,

no seu silêncio e pressão, 
que se dedilha uma casa, 
que se desenha a canção. 


Gilberto Mendonça Teles In (Álibis) 2000



12 comentários:

  1. Eu convido-a a passar um óptimo fim-de-semana.
    Beijinhos

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  2. Really beautiful - even when translated by Google. :)
    Have a happy weekend! xx

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  3. Maria, I tried to translate this poem, it turned out not to good. But I understand the sense of it.
    Happy weekend!

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  4. Acho que nunca tinha lido nada deste poeta.
    Mas o poema, para além de excelente, é lindíssimo.
    Obrigado pela partilha.
    Maria, um bom fim de semana.
    Beijo.

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  5. Deixo-me seduzir por esta rima que me enamora.
    A poesia deve rimar para possuir esse dão poético.
    Gostei.
    Abraços de vida, querida amiga.

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  6. Boa noite de sábado, querida amiga Maria!
    Tanto o poema como a imagem são belos.
    Gosto do seu excelente gosto.
    Tenha dias abençoados!
    Bjm carinhoso e fraterno

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  7. Um poeta, que desconhecia, por completo... e que adorei descobrir por aqui!...
    Belíssima partilha, Maria! Beijinhos!
    Ana

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  8. Simples e bonito poema. E, para rimar, digo: é um poema de inclusão! Um beijo.

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