segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

A Natureza veste-se de branco



Estamos no Inverno e com ele veio o tempo frio, o vento, a chuva e a neve.

Talvez por viver em Lisboa e aqui não nevar, eu adoro ver paisagens com neve. Em Lisboa só caíram uns farrapitos de neve há 4 anos, em Janeiro de 2006. Ver realmente nevar, só vi  uma vez, há já bastantes anos na Serra da Estrela, tínhamos ido lá passar um fim-de-semana e tivemos o privilégio de poder ver a neve a cair e se caiu, ficou tudo branquinho, foram momentos inesquecíveis.

O Pedro e a Diana aproveitaram para se divertir, foi uma alegria imensa.



Para quem gosta como eu, de ver a Natureza vestida de branco, aqui ficam belíssimas imagens.

Manhã de Inverno

Coroada de névoas, surge a aurora
Por detrás das montanhas do oriente;
Vê-se um resto de sono e de preguiça,
Nos olhos da fantástica indolente.


Névoas enchem de um lado e de outro os morros
Tristes como sinceras sepulturas,
Essas que têm por simples ornamento
Puras capelas, lágrimas mais puras.


A custo rompe o sol; a custo invade
O espaço todo branco; e a luz brilhante
Fulge através do espesso nevoeiro,
Como através de um véu fulge o diamante.


Vento frio, mas brando, agita as folhas
Das laranjeiras húmidas da chuva;
Erma de flores, curva a planta o colo,
E o chão recebe o pranto da viúva.


Gelo não cobre o dorso das montanhas,
Nem enche as folhas trémulas a neve;
Galhardo moço, o Inverno deste clima
Na verde palma a sua história escreve.


Pouco a pouco, dissipam-se no espaço
As névoas da manhã; já pelos montes
Vão subindo as que encheram todo o vale;
Já se vão descobrindo os horizontes.


Sobe de todo o pano; eis que aparece
Da natureza o esplêndido cenário;
Tudo ali preparou com os sábios olhos
A suprema ciência do empresário.


Canta a orquestra dos pássaros no mato
A sinfonia alpestre, — a voz serena
Acordo os ecos tímidos do vale;
E a divina comédia invade a cena.

Machado de Assis




“Por vezes é necessário deixarmos voar o nosso espírito para longe e encher o nosso coração de pensamentos positivos”

3 comentários:

  1. Maria

    Todos os teus post's são de uma beleza extrordinária, o presente calou-me profumdamente, embora me tenha desenraízado, vivi bastante tempo o tipo de Invernos de que falas. Brinquei com pedaços de gelo, tendo sempre em mente o objectivo de viver em Lisboa, nunca tive saudades ou nostalgia do tempo, simplesmente, sei apreciar bem e recordar os Invernos vistos no campo, no que se chama, talvez mal, descampado.
    Obrigado, beijos

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  2. Minha querida

    Neste ano que está a findar fiz viagens maravilhosas neste cantinho especial que é o teu, obrigada pelo carinho de sempre e pela partilha de maravilhas.
    Votos de um 2011 cheio de amor e muita paz.

    Beijinhos com carinho
    Sonhadora

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  3. Maria !!!!!!!! Que lindas imagens ! E aqui um calor danado rs...

    Eu estou oferecendo minha lembrancinha de aniversário, no meu BLOG AGUA DE ROSAS... apareça !
    Postei antes do dia do aniversário, porque vai ser dia 1° de janeiro...

    FELIZ ANO NOVO !

    JACQUE

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“Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós” (Antoine de Saint-Exupery).

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