sexta-feira, 28 de junho de 2019

À hora em que os cisnes cantam - Cecília Meireles





Nem palavras de adeus, nem gestos de abandono.
Nenhuma explicação. Silêncio. Morte. Ausência.
O ópio do luar banhando os meus olhos de sono...
Benevolência. Inconsequência. Inexistência.

Paz dos que não têm fé, nem carinho, nem dono...
Todo o perdão divino e a divina clemência!
Oiro que cai dos céus pelos frios do outono...
Esmola que faz bem... - nem gestos, nem violência...

Nem palavras.Nem choro. A mudez. Pensativas
abstrações. Vão temor de saber. Lento, lento
volver de olhos, em torno, augurais e espectrais...

Todas as negações. Todas as negativas.
Ódio? Amor? Ele? Tu? Sim? Não? Riso? Lamento?
- Nenhum mais. Ninguém mais. Nada mais. Nunca mais...

Cecília Meireles
In 'Nunca Mais e Poema dos Poemas'1923


10 comentários:

  1. Um poema de Cecília que eu não conhecia.
    Grata pela partilha!

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  2. Los desgarros del corazón tejen bellos versos, que al fiuna desahogan y limpian al poeta de amarguras...
    besos.

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  3. Quanta profundidade há nesse poema de Cecília Meireles.
    Bjs Maria Rodrigues.
    Carmen Lúcia.

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  4. Um poema muito belo e profundo, revelador da sensível alma de Cecília!...
    Belíssima escolha, Maria! Beijinhos
    Ana

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“Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós” (Antoine de Saint-Exupery).

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