terça-feira, 28 de julho de 2015

Sais pelo sonho como de um casulo e voas



Sais pelo sonho como de um casulo e voas.

Com tal leveza podes percorrer o mapa
e ir e vir ao acaso, ar e nome:
como as borboletas.

Não és tu, mas a tua memória com asas.

E abrem-se os palácios,
e percorres os tesouros guardados,
e és sorriso e silêncio
e já nem precisas mais de asas.

Na noite encontras o dia, claro e durável
Voas sobre séculos e horóscopos
Ouves dizer que te amam
como ninguém jamais o poderia confessar.

Não tens idade nem tribo,
nem rosto nem profissão.
Podes fazer o que quiseres com palavras,harpas,almas.

E quando voltas ao teu casulo
já não tens medo nenhum da morte.
E em teu pensamento há néctar e pólen.


Cecília Meireles
In Sonhos 




4 comentários:

  1. Gosto muito da poesia da Cecília Meireles e esta tem um titulo muito bonito.
    Um abraço e continuação de uma boa semana.

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  2. Fantástico texto. adorei

    Beijinhos
    http://coisasdeumavida172.blogspot.pt/

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  3. Naquele dia à tarde!
    terá ido numa flor pousar
    para onde não se sabe
    saiu do casulo a voar.

    Sem idade nem tribo,
    uma borboleta a voar
    numa, se calhar terá ido
    espiga de trigo pousar?

    Não sei, não tenho a certeza,
    só estou, mesmo, a imaginar
    o homem para mais amealhar
    continua a ferir a natureza!

    Gostei, belo poema de Cecília Meireles,
    para você amiga Maria, desejo uma boa tarde, um beijo
    Eduardo.

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  4. Maria Rodrigues, de Cecília Meireles, no poema, sempre sobra néctar e pólen, duma poesia, muito sua, muito escorreita.
    beijinhos

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“Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós” (Antoine de Saint-Exupery).

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