quinta-feira, 28 de março de 2013

O Vento - Poema de Cecília Meireles




O cipreste inclina-se em fina reverência
e as margaridas estremecem, sobressaltadas.

A grande amendoeira consente que balancem
suas largas folhas transparentes ao sol.

Misturam-se uns aos outros, rápidos e frágeis,
os longos fios da relva, lustrosos, lisos cílios verdes.

Frondes rendadas de acácias palpitam inquietantemente
com o mesmo tremor das samambaias
debruçadas nos vasos.

Fremem os bambus sem sossego,
num insistente ritmo breve.

O vento é o mesmo:
mas sua resposta é diferente, em cada folha.

Somente a árvore seca fica imóvel,
entre borboletas e pássaros.

Como a escada e as colunas de pedra,
ela pertence agora a outro reino.
Se movimento secou também, num desenho inerte.
Jaz perfeita, em sua escultura de cinza densa.

O vento que percorre o jardim
pode subir e descer por seus galhos inúmeros:

ela não responderá mais nada,
hirta e surda, naquele verde mundo sussurrante.


Cecília Meireles



9 comentários:

  1. Oi Maria muita paz, vim te visitar e encontrei esta poesia linda de cecilia meireles. Uma feliz páscoa, abraços Celina.

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  2. Maria,
    Que lindo o poema de Cecília e a foto que você escolheu!
    Bjs.

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  3. Passando para desejar uma Santa Páscoa.
    Beijo.
    isa.

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  4. Um belo poema da Cecília Meireles.

    O vento que afasta borboletas e pássaros mas deixa ficar imóvel a árvore.

    Beijinho e boa Páscoa

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  5. Não conhecia essa poesia tão bela de Cecília Meireles.

    Carol
    Um blog simples
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  6. Amiga querida, este poema é uma brisa.
    Tocou minha alma, alegrou-me, uma inspiração, diria.
    Um abraço, beijos.

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  7. Amiga Maria! Eu adoro Cecilia,este poema é magnifico e de rara beleza...gostei muito.
    Beijinhos e Feliz Páscoa

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“Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós” (Antoine de Saint-Exupery).

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