terça-feira, 23 de março de 2010

Oceano Nox - Poema de Antero de Quental



Junto do mar, que erguia gravemente
A trágica voz rouca, enquanto o vento
Passava como o vôo do pensamento
Que busca e hesita, inquieto e intermitente,

Junto do mar sentei-me tristemente,
Olhando o céu pesado e nevoento,
E interroguei, cismando, esse lamento
Que saía das coisas, vagamente...

Que inquieto desejo vos tortura,
Seres elementares, força obscura?
Em volta de que idéia gravitais?

Mas na imensa extensão, onde se esconde
O Inconsciente imortal, só me responde
Um bramido, um queixume, e nada mais...

Antero de Quental, in "Sonetos"





6 comentários:

  1. Maravilhoso soneto...
    Tenha um dia iluminado!!!
    Obrigado pela visita comentada...
    Abraço!

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  2. O mar sempre inspirando os poetas, lindo.

    Que maravilha de imagem hem...

    beijooo.

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  3. O mar é minha vida,ñ é a toa q moro numa concha.
    Beijokas.

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  4. Olá Maria!

    Este é um poema que tem tanto de bonito como de sofrido, dum homem que muito sofreu - certamente inspirado pelo mar de vila do Conde.

    Um abraço.
    Vitor

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  5. Lindissimo poema, o mar sempre foi a inspiração dos poetas.

    Beijinhos
    Sonhadora

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  6. Amigos, obrigado a todos pelas vossas mensagens.
    bjs
    Maria

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“Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós” (Antoine de Saint-Exupery).

Obrigado pela sua visita e pelo carinho que demonstrou, ao dispensar um pouco do seu tempo, deixando aqui no meu humilde cantinho, um pouco de si através da sua mensagem.

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