domingo, 5 de junho de 2016

Se às Vezes Digo que as Flores Sorriem





Se às vezes digo que as flores sorriem
E se eu disser que os rios cantam,
Não é porque eu julgue que há sorrisos nas flores
E cantos no correr dos rios...
É porque assim faço mais sentir aos homens falsos
A existência verdadeiramente real das flores e dos rios.
Porque escrevo para eles me lerem sacrifico-me às vezes
À sua estupidez de sentidos...
Não concordo comigo mas absolvo-me,
Porque só sou essa cousa séria, um intérprete da Natureza,
Porque há homens que não percebem a sua linguagem,
Por ela não ser linguagem nenhuma.


Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos - Poema XXXI"
Heterónimo de Fernando Pessoa



7 comentários:

  1. Maravilhoso amanhecer beijinhos querida amiga

    ResponderEliminar
  2. Inconfundível, Alberto Caeiro...
    Beijos.

    ResponderEliminar
  3. As telas são fantásticas dentro de uma corrente realista. Caeiro, como se sabe - o Mestre.

    Beijo

    Lídia

    ResponderEliminar
  4. Muito lindo.
    Uma boa semana Maria.
    Meu abraço de paz e luz amiga.
    Bjs

    ResponderEliminar

“Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós” (Antoine de Saint-Exupery).

Obrigado pela sua visita e pelo carinho que demonstrou, ao dispensar um pouco do seu tempo, deixando aqui no meu humilde cantinho, um pouco de si através da sua mensagem.