quarta-feira, 2 de maio de 2012

Ás vezes - Poema de Fernando Pessoa





Às vezes, em sonho triste
Nos meus desejos existe
Longinquamente um país
Onde ser feliz consiste
Apenas em ser feliz.

Vive-se como se nasce
Sem o querer nem saber,
Nessa ilusão de viver
O tempo morre renasce
Sem que o sintamos correr.

O sentir e o desejar
São banidos dessa terra.
O amor não é amor
Nesse país por onde erra
Meu longínquo divagar.

Nem se sonha nem se vive:
É uma infância sem fim.
Parece que se revive
Tão suave é viver assim
Nesse impossível jardim.

Fernando Pessoa



14 comentários:

  1. Maria querida
    Excelente escolha!
    Como as palavras escritas à tanto tempo de Fernando Pessoa possam estar tão actuais.

    Beijinho e uma flor

    ResponderEliminar
  2. Lindo! Fernando Pessoa é genial. Faz da poesia um tênue caminhar.Suave, doce e ao mesmo tempo traz verdades.
    Você tem a sensibilidade de escolher jóias que nos fazem refletir.
    Bjs no coração bela amiga
    Eloah

    ResponderEliminar
  3. Maria, querida amiga
    Fernando Pessoa foi Poeta único.
    Restringindo-nos apenas a Portugal (para não falar noutros países...) já houve e continua a haver óptimos poetas, de muito alto valor.
    Mas penso que as características de Fernando Pessoa o tornaram diferente de todos os outros.
    Este poema é um dos meus preferidos.

    Continuação de boa semana. Beijinhos

    ResponderEliminar
  4. Lindo poema de Fernando Pessoa
    Como a ele responder
    Para não escrever frases à toa
    Como teria sido o seu viver!

    Seus poemas entender
    Algo triste se passou
    Na ilusão do seu viver
    Quando a vida terminou!

    Boa quarta-feira pra você,
    um beijo
    Eduardo.

    ResponderEliminar
  5. Amiga Maria.O poema de Pessoa nos leva a um país como o nosso, em que viver e morrer já é banal,os sonhos ficam na soleira da porta porque custam a entrar para florir a alma.
    Um beijinho e tudo de bom

    ResponderEliminar
  6. Oi querida Maria, Portugal é o berço de ótimos poetas,Fernando Pessoa, Florbela Espanca, e o Alentejo, aprendí a admiralo por ser a terra da minha poetisa predileta. Quando estive em Portugal, visitei Lisboa e Fátima, estava de passagem não deu tempo de visitar o Alentejo, terre de Florrbela Espanca que muito admiro,lí a sua biografia ela era uma pessoa muito triste chegando ao ponto do suicidio. O Fernando Pessoa, de tão maravilhoso, sem comentário, não teria palavras, de falar de sua grandeza. Um abraço fraterno. Celina

    ResponderEliminar
  7. Minha querida Maria

    Um maravilhoso poema de Fernando Pessoa que eu adoro.

    Deixo um beijinho com carinho
    Sonhadora

    ResponderEliminar
  8. Olá Maria
    Sabe sempre bem ler Fernando Pessoa. É um dos meus autores preferidos.
    Beijinhos
    Lourdes

    ResponderEliminar
  9. Bom e agradável é refletir nos poemas de Fernando Pessoa...
    Achei bonita também a imagem... Caminho, flores, borboletas, joaninha, campo, árvores, casa, lindo céu!... Divaguei até!!
    UM BEIJÃO, MARIA.......

    ResponderEliminar
  10. Oi Maria, um belo poema de Fernando Pessoa e a imagem linda também, beijos

    ResponderEliminar
  11. Só digo que é lindo demais, pois é só "viver como se fôssemos eternas crianças"..Tão suave é viver assim!
    Parabéns pela escolha gosto do poeta Fernando Pessoa*, português de fato e gênio nessa arte de poetar.
    Beijos, e se ainda estiveres acordada, uma boa noite*, acho difícil, aqui já são 22:15; até!

    ResponderEliminar
  12. Olá Maria,
    Fernado Pessoa é um poeta único, irrepetível.
    Como seria bom viver sem calendários e sem relógios, não ter a noção do tempo e viver nesse impossível jardim.
    Bjis
    J

    ResponderEliminar
  13. Um excelente poema, ou não fosse do grande mestre de poesia.Gosto do Fernando do Ricardo do Alvaro e do Alberto. Extraordinária a capacidade de se desdobrar, sem nunca se repeti.
    Um abraço

    ResponderEliminar
  14. *
    eu vou reler
    o apelo de Pessoa
    moinho de sonhos
    do meu sofrimento,
    concedo-te Maria,
    este bravio apetite,
    alucinando sonhos
    em castelos de areia.
    srsrsrsr,
    ,
    respeitáveis conchinhas.
    te envio, Maria !
    *

    ResponderEliminar

“Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós” (Antoine de Saint-Exupery).

Obrigado pela sua visita e pelo carinho que demonstrou, ao dispensar um pouco do seu tempo, deixando aqui no meu humilde cantinho, um pouco de si através da sua mensagem.