quarta-feira, 2 de maio de 2012

Ás vezes - Poema de Fernando Pessoa





Às vezes, em sonho triste
Nos meus desejos existe
Longinquamente um país
Onde ser feliz consiste
Apenas em ser feliz.

Vive-se como se nasce
Sem o querer nem saber,
Nessa ilusão de viver
O tempo morre renasce
Sem que o sintamos correr.

O sentir e o desejar
São banidos dessa terra.
O amor não é amor
Nesse país por onde erra
Meu longínquo divagar.

Nem se sonha nem se vive:
É uma infância sem fim.
Parece que se revive
Tão suave é viver assim
Nesse impossível jardim.

Fernando Pessoa



10 comentários:

  1. Maria querida
    Excelente escolha!
    Como as palavras escritas à tanto tempo de Fernando Pessoa possam estar tão actuais.

    Beijinho e uma flor

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  2. Lindo! Fernando Pessoa é genial. Faz da poesia um tênue caminhar.Suave, doce e ao mesmo tempo traz verdades.
    Você tem a sensibilidade de escolher jóias que nos fazem refletir.
    Bjs no coração bela amiga
    Eloah

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  3. Amiga Maria.O poema de Pessoa nos leva a um país como o nosso, em que viver e morrer já é banal,os sonhos ficam na soleira da porta porque custam a entrar para florir a alma.
    Um beijinho e tudo de bom

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  4. Minha querida Maria

    Um maravilhoso poema de Fernando Pessoa que eu adoro.

    Deixo um beijinho com carinho
    Sonhadora

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  5. Olá Maria
    Sabe sempre bem ler Fernando Pessoa. É um dos meus autores preferidos.
    Beijinhos
    Lourdes

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  6. Bom e agradável é refletir nos poemas de Fernando Pessoa...
    Achei bonita também a imagem... Caminho, flores, borboletas, joaninha, campo, árvores, casa, lindo céu!... Divaguei até!!
    UM BEIJÃO, MARIA.......

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  7. Oi Maria, um belo poema de Fernando Pessoa e a imagem linda também, beijos

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  8. Olá Maria,
    Fernado Pessoa é um poeta único, irrepetível.
    Como seria bom viver sem calendários e sem relógios, não ter a noção do tempo e viver nesse impossível jardim.
    Bjis
    J

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  9. Um excelente poema, ou não fosse do grande mestre de poesia.Gosto do Fernando do Ricardo do Alvaro e do Alberto. Extraordinária a capacidade de se desdobrar, sem nunca se repeti.
    Um abraço

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  10. *
    eu vou reler
    o apelo de Pessoa
    moinho de sonhos
    do meu sofrimento,
    concedo-te Maria,
    este bravio apetite,
    alucinando sonhos
    em castelos de areia.
    srsrsrsr,
    ,
    respeitáveis conchinhas.
    te envio, Maria !
    *

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