terça-feira, 5 de novembro de 2019

Ode para engomar - Pablo Neruda




A poesia é branca:
sai da  água envolta em gotas,
enruga-se e amontoa-se,
é preciso estender a pele deste planeta,
é preciso engomar o mar com a sua brancura
e vão e vêm as mãos,
alisam as sagradas superfícies
e assim se engendram as coisas:
dia a dia fazem as mãos o mundo,
une-se o fogo ao aço,
chegam o linho, o algodão e o cotim
da faina das lavandarias
e nasce da luz uma pomba:
a pureza regressa da espuma.


Pablo Neruda

In Plenos Poderes





16 comentários:

  1. Que deliciosa forma de começar mais uma semana de trabalho.
    Bjs, boa semana

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  2. Começar o dia a ler Pablo Neruda é um privilégio raro.
    Abraço

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  3. Gostei. Tenho um livro de poemas de Neruda. Quando o vejo mencionado nalgum blog dou uma olhadela nele para me recordar de outros poemas.
    Que tenha um excelente dia.

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  4. Poema soberbo. Parabéns pela escolha!

    Beijo e um excelente dia!

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  5. Hola Maria, es hermoso como todo lo que nos dejas, muchas gracias. Besos.

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  6. I liked the poem by Pablo Neruda. Some of them are traduced into Russian.
    Happy week, Maria!

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  7. Boa tarde Maria,
    Maravilhoso poema!
    Não conhecia e adorei.
    Beijinhos,
    Ailime

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  8. a imagem mt bonita assim como o poema que tb é mt bonito bjs

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  9. I liked your choice of poem and image.

    All the best Jan

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  10. Palavras sempre gratificantes de Pablo Neruda!
    Gostei muito Maria Rodrigues.
    Bjs-Carmen Lúcia

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  11. Muitas vezes, leio Neruda para divagar, para impressionar-me das imagens. Foi o que fiz agora, nesses agradáveis momentos passados aqui. A conexão entre imagem e poema é perfeita! A poesia é mesmo parte da arte de engendrar as coisas no mundo, porque ela, como o mar, regressa da espuma... Belíssimo!!
    Beijo carinhoso

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  12. Privilegio se hace oír en esas voces de aves y del mar , el verdadero sentir de este pueblo chileno.
    besos.

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  13. Sempre um prazer imenso, descobrir um pouco mais, da poética obra de Neruda!...
    Beijinhos
    Ana

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“Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós” (Antoine de Saint-Exupery).

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