sexta-feira, 30 de junho de 2017

Cisne




Amei-te? Sim. Doidamente!
Amei-te com esse amor
Que traz vida e foi doente...

À beira de ti, as horas
Não eram horas: paravam.
E, longe de ti, o tempo
Era tempo, infelizmente...

Ai! esse amor que traz vida,
Cor, saúde... e foi doente!

Porém, voltavas e, então,
Os cardos davam camélias,
Os alecrins, açucenas,
As aves, brancos lilases,
E as ruas, todas morenas,
Eram tapetes de flores
Onde havia musgo, apenas...

E, enquanto subia a Lua,
Nas asas do vento brando,
O meu sangue ia passando
Da minha mão para a tua!

Por que te amei?
                           — Ninguém sabe
A causa daquele amor
Que traz vida e foi doente.

Talvez viesse da terra,
Quando a terra lembra a carne.
Talvez viesse da carne
Quando a carne lembra a alma!
Talvez viesse da noite
Quando a noite lembra o dia.

— Talvez viesse de mim.
E da minha poesia...


Pedro Homem de Mello, in "Adeus"



5 comentários:

  1. Não conhecia este poema. Obrigada
    Um abraço e bom fim de semana

    ResponderEliminar
  2. Maravilhoso momento querida amiga, muitos beijinhos felicidades

    ResponderEliminar
  3. Este poema remexeu minhas lembranças, Maria e isto não é mau...

    Melancólico e belo!
    Valeu!

    BJK
    JAN

    ResponderEliminar
  4. Olá amiga Maria, depois desta ausência voltei.
    Como é bom voltar, matar saudades destas maravilhas que nos fazem sonhar.... e com esses belos sonhos viajar.
    Também gostei do poema...um tanto melancólico e sentimental...mas faz vibrar recordações.
    Obrigada Maria, pela sua arte e poesia com que nos brinda.
    Beijinho e tenha uma ótima tarde de Domingo.
    Luísa Fernandes
    poemasdaminhalma.blogspot.pt

    ResponderEliminar

“Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós” (Antoine de Saint-Exupery).

Obrigado pela sua visita e pelo carinho que demonstrou, ao dispensar um pouco do seu tempo, deixando aqui no meu humilde cantinho, um pouco de si através da sua mensagem.