quinta-feira, 25 de maio de 2017

Solidão - Poema de Pedro Homem de Mello





Ó solidão! À noite, quando, estranho,
Vagueio sem destino, pelas ruas,
O mar todo é de pedra... E continuas.
Todo o vento é poeira... E continuas.
A Lua, fria, pesa... E continuas.
Uma hora passa e outra... E continuas.
Nas minhas mãos vazias continuas,
No meu sexo indomável continuas,
Na minha branca insónia continuas,
Paro como quem foge. E continuas.
Chamo por toda a gente. E continuas.
Ninguém me ouve. Ninguém! E continuas.
Invento um verso... E rasgo-o. E continuas.
Eterna, continuas... Mas sei por fim que sou do teu tamanho!


Pedro Homem de Mello



quarta-feira, 24 de maio de 2017

MACAU - Templo de A-Má




O Templo de A-Má, localiza-se a meio da encosta poente da Colina da Barra e já existia antes da própria Cidade de Macau ter nascido. Está incluído na Lista dos monumentos históricos do "Centro Histórico de Macau", estando assim incluído na Lista do Património Mundial da Humanidade da UNESCO.










Este templo é considerado o símbolo máximo da cultura chinesa em Macau.




É composto pelo Pavilhão do Pórtico, o Arco Memorial, o Pavilhão de Orações, o Pavilhão da Benevolência, o Pavilhão de Guanyin e o Pavilhão Budista Zhengjiao Chanlin, cada um disposto harmoniosamente com o ambiente natural circundante e contribuindo para a beleza do conjunto. Cada pavilhão é dedicado ao culto de uma divindade chinesa, algo que torna o templo um exemplo singular das diversas influências da cultura chinesa, passando pelo taoísmo, confucionismo, budismo e pelas diversas crenças populares. Os pavilhões datam de épocas diferentes, sendo a configuração actual datada de 1828.


















A cultura e costumes da Deusa A-Ma está enraizada em Macau desde há centenas de anos.









Fotos: Pessoais



terça-feira, 23 de maio de 2017

Canoas do Tejo




Canoa de vela erguida,
Que vens do Cais da Ribeira,
Gaivota, que andas perdida,
Sem encontrar companheira

O vento sopra nas fragas,
O Sol parece um morango,
E o Tejo baila com as vagas
A ensaiar um fandango

Canoa,
Conheces bem
Quando há norte pela proa,
Quantas docas tem Lisboa,
E as muralhas que ela tem

Canoa,
Por onde vais?
Se algum barco te abalroa,
Nunca mais voltas ao cais,
Nunca, nunca, nunca mais

Canoa de vela panda,
Que vens da boca da barra,
E trazes na aragem branda
Gemidos de uma guitarra

Teu arrais prendeu a vela,
E se adormeceu, deixa-lo
Agora muita cautela,
Não vá o mar acordá-lo




Autor da Letra: Frederico de Brito
Interprete: Carlos do Carmo

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Ao Expressar-se - Poema de Alvina Nunes Tzovenos





Dize da vaga incerta
a bailar sem ausências
sobre teu navio incerto
branco de ausências e canções.

Dize das ruas desertas
de tua canção angústia
desse desejo de regressos
desse choro em tuas varandas . . .

Dize da esperança que não espera
quando teu universo é paz
da noite que não desespera
quando a chuva faz compassos
dentro d’alma.

Dize de ti, do tudo
e do mundo, sem submundo
quando raízes exalam aromas
e quando as flores não morrem.


Alvina Nunes Tzovenos
Palavras ao Tempo




domingo, 21 de maio de 2017

MACAU - Fortaleza do Monte




Continuando a mostrar a minha visita a Macau hoje vamos divagar pela:

Fortaleza do Monte

A Fortaleza do Monte é atualmente um monumento histórico e desmilitarizado incluído no Centro Histórico de Macau, que por sua vez faz parte da Lista do Património Mundial da Humanidade da UNESCO.






Foi construída entre 1617 e 1626, e era a principal defesa militar da cidade. Estava equipada com canhões, quartéis militares, poços e um arsenal suficientes de munições e mantimentos para sustentar um cerco com duração de até dois anos.




Num nicho logo em frente do portão da entrada está a estátua da Virgem Maria.




Subimos para o jardim interior da Fortaleza




Aí se encontra o Museu de Macau








Lá de cima a vista panorâmica sobre Macau é espetacular.





A fortaleza cobre uma área de 10.000 metros quadrados, com a forma de um trapézio




  


Fotos: Pessoais
Texto explicativo: Wikipedia


Mistíco - Poema de Vinícius de Moraes




O ar está cheio de murmúrios misteriosos
E na névoa clara das coisas há um vago sentido de espiritualização…
Tudo está cheio de ruídos sonolentos
Que vêm do céu, que vêm do chão
E que esmagam o infinito do meu desespero.

Através do tenuíssimo de névoa que o céu cobre
Eu sinto a luz desesperadamente
Bater no fosco da bruma que a suspende.
As grandes nuvens brancas e paradas —
Suspensas e paradas
Como aves solícitas de luz —
Ritmam interiormente o movimento da luz:
Dão ao lago do céu
A beleza plácida dos grandes blocos de gelo.

No olhar aberto que eu ponho nas coisas do alto
Há todo um amor à divindade.
No coração aberto que eu tenho para as coisas do alto
Há todo um amor ao mundo.
No espírito que eu tenho embebido das coisas do alto
Há toda uma compreensão.

Almas que povoais o caminho de luz
Que, longas, passeais nas noites lindas
Que andais suspensas a caminhar no sentido da luz
O que buscais, almas irmãs da minha?
Por que vos arrastais dentro da noite murmurosa
Com os vossos braços longos em atitude de êxtase?
Vedes alguma coisa
Que esta luz que me ofusca esconde à minha visão?
Sentis alguma coisa
Que eu não sinta talvez?
Por que as vossas mãos de nuvem e névoa
Se espalmam na suprema adoração?
É o castigo, talvez?

Eu já de há muito tempo vos espio
Na vossa estranha caminhada.
Como quisera estar entre o vosso cortejo
Para viver entre vós a minha vida humana...
Talvez, unido a vós, solto por entre vós
Eu pudesse quebrar os grilhões que vos prendem...

Sou bem melhor que vós, almas acorrentadas
Porque eu também estou acorrentado
E nem vos passa, talvez, a idéia do auxílio.
Eu estou acorrentado à noite murmurosa
E não me libertais...
Sou bem melhor que vós, almas cheias de humildade.
Solta ao mundo, a minha alma jamais irá viver convosco.

Eu sei que ela já tem o seu lugar
Bem junto ao trono da divindade
Para a verdadeira adoração.

Tem o lugar dos escolhidos
Dos que sofreram, dos que viveram e dos que compreenderam.

Vinícius de Moraes