10/01/2014

4 Eu queria SER ...




Vida,
para fazer nascer os
que estão morrendo.

Sol,
para fazer brilhar os
que não possuem luz.

Luz,
para iluminar os que
vivem na escuridão.

Chuva,
pra correr por toda a
terra e molhar os campos
secos e devastados.

Lágrima,
para fazer chorar os
corações insensíveis.



Voz,
para fazer falar os que
sempre se ocultaram.

Canto,
para alegrar os que
vivem na tristeza.

Luar,
para brilhar na noite
dos apaixonados.

Flor,
para enfeitar os jardins
no outono.

Silêncio,
para fazer calar as vozes
que atordoam o coração
do homem.



Sinos,
para repicar nos Natais
dos que possuem recordações
amargas.

Grito,
para mostrar a dor dos que
sofrem em silêncio.

Olhos,
para fazer enxergar os cegos
de verdade.

Força,
para fugir dos que a utilizam
para o mal.

Sorriso,
para encantar os lábios
amargurados.



Sonho,
para colorir a vidas
dos realistas.

Veículo,
pra trazer de volta os que
partiram deixando saudades.

Amanhecer,
para fazer um dia a mais de
felicidade sobre a terra.

Noite,
para descansar os que lutam
durante o dia.

Amor,
para unir as pessoas e lhes
dizer que sou apenas uma
delas.


(desconheço autoria)



Ler o post completo

09/01/2014

5 Esta vida é um Corridinho




A vida é um corridinho,
Corre, corre, sem parar,
Desde que um homem vem ao mundo
Até que vai a enterrar.
Nasce a gente e de repente,
Corre este risco sem par,
De morrer logo à nascença
Ou de ter que cá ficar.


Corre, corre, corridinho,
Corre, a vida sem parar.





Em miúdo corre e chora
Prá mãe lhe dar de mamar
Depois pula, rasga e estraga,
Pelos jardins a brincar.
Corre depois para a escola,
Corre aos livros pra estudar,
Corre depois na parada,
Quando vai pra militar.



Corre, corre, corridinho,
Corre, a vida sem parar.






Corre o tempo e volta à terra,
Com ideias de casar.
Corre logo ao bailarico,
Corre à procura dum par.
Correm banhos na igreja.
Corre a nova no lugar,
Té que um dia mai-la noiva,
Correm ambos pró altar.



Corre, corre, corridinho,
Corre, a vida sem parar.





Correm dias bem felizes,
Correm horas de bem-estar,
Pois num berço pequenino,
Está um bebé a chorar.
Mas passados anos correm
dez pimpolhos no seu lar
Corre-lhe o suor em bica,
Pra família sustentar.



Corre, corre, corridinho.
Corre, a vida sem parar.


Corre aqui, pede acolá,
Corre ao prego pra pagar
ao padeiro, ao merceeiro,
pra vestir e pra calçar.
Corre um mês e outro mês,
E ele, aflito, pra arranjar,
com que pague a casa, a luz
e ao doutor que o vai tratar.




Corre, corre, corridinho,
Corre, a vida sem parar.


 


Já cansado de correr,
Certo dia, ao levantar,
Corre-lhe um frio plo espinhaço,
Corre à cama e dá-lhe um ar.
Corre o pranto na família,
Corre a gentinha a espreitar.
A correr vem um anjinho
que logo o leva plo ar.



Corridinho, corridinho,
Lá vai ele a aboar.
Corridinho, corridinho,
Lá vai ele a aboar.





Corridinho chega ao céu,
Bate à porta pra entrar,
Corre S. Pedro a abrir,
Pró caminho lhe indicar.
Corre já pra'quela nuvem
Que é ali o teu lugar,
Pois no fim desta corrida
tens direito a descansar.

Corridinho, corridinho,
Lá vai ele a aboar.
Corridinho, corridinho,
Lá vai ele a aboar.


João Villaret

Ler o post completo

06/01/2014

8 Traze-me - Poema de Cecilia Meireles




Traze-me um pouco das sombras serenas
que as nuvens transportam por cima do dia!
Um pouco de sombra, apenas,
- vê que nem te peço alegria.
Traze-me um pouco da alvura dos luares
que a noite sustenta no teu coração!
A alvura, apenas, dos ares:
- vê que nem te peço ilusão.
Traze-me um pouco da tua lembrança,
aroma perdido, saudade da flor!
-Vê que nem te digo - esperança!
-Vê que nem sequer sonho - amor!

Cecília Meireles


Ler o post completo

05/01/2014

5 Os Anos são Degraus - Poema de Fernanda de Castro


Os anos são degraus, a Vida a escada.
Longa ou curta, só Deus pode medi-la.
E a Porta, a grande Porta desejada,
só Deus pode fechá-la,
pode abri-la.

São vários os degraus; alguns sombrios,
outros ao sol, na plena luz dos astros,
com asas de anjos, harpas celestiais.
Alguns, quilhas e mastros
nas mãos dos vendavais.

Mas tudo são degraus; tudo é fugir
à humana condição.
Degrau após degrau,
tudo é lenta ascensão.

Senhor, como é possível a descrença,
imaginar, sequer, que ao fim da Estrada,
se encontre após esta ansiedade imensa
uma porta fechada
e mais nada?

Maria Fernanda de Castro

Blog: Fernanda de Castro

Ler o post completo
Topo