13/10/2026

O Meu Alentejo poema de Florbela Espanca


Campo no Alentejo - Pode ver outras criações digitais na minha galeria: Arte em AI



Meio-dia. O sol a prumo cai ardente,
Dourando tudo... ondeiam nos trigais
D´ouro fulvo, de leve... docemente...
As papoulas sangrentas, sensuais...

Andam asas no ar; e raparigas,
Flores desabrochadas em canteiros,
Mostram por entre o ouro das espigas
Os perfis delicados e trigueiros...

Tudo é tranquilo, e casto, e sonhador...
Olhando esta paisagem que é uma tela
De Deus, eu penso então: onde há pintor,

Onde há artista de saber profundo,
Que possa imaginar coisa mais bela,
Mais delicada e linda neste mundo?!


Florbela Espanca
in ‘Mensageira das Violetas’




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