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21/02/2026

18 Estação - Poema de José do Carmo Francisco





Um comboio que partisse
Sem sair da estação
No lado esquerdo da linha
Transporte dum coração.

Um comboio que chegasse
Na ânsia de não saber
Qual janela escolhida
No trânsito desta mulher.

Afinal sombra, um modelo
Visto apenas de passagem
O comboio não se deteve
Não era minha viagem.

Afinal pó de um momento
Registado num poema
Se o comboio esteve aqui
Era o mesmo do cinema.


José do Carmo Francisco,
in "As emboscadas do esquecimento"



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16/02/2026

14 A Chuva - Poema de Manuel Bastos Tigre





-  Mamãe! Que chuvinha enjoada!
Me deixou toda molhada,
Sapato, roupa e chapéu!
Não serve mesmo pra nada
Esta água que cai do céu…

- Não digas tal, minha filha:
A chuva é uma maravilha
Pois ela molhando o chão,
Faz crescer a couve, a ervilha,
O arroz, o milho, o feijão.

A chuva, molhando a terra,
Cobre de flores a serra,
Amadurece o pomar,
E a semente que se enterra
A chuva é que faz brotar.

Por isso é que a chuva é boa
E a terra seca a abençoa…
- Sim, Mamãe, compreendo bem.
Mas por que é que a chuva, à toa,
Cai nas calçadas também?


Manuel Bastos Tigre 
in Antologia Poética de Bastos Tigre



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07/02/2026

22 Na vida, ao termo da dança - Poema de Dorothy Jansson Moretti





Na vida, ao termo da dança,
quando mais nada já resta,,
mesmo sozinha, a Esperança
rodopia ao fim da festa.



Dorothy Jansson Moretti



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01/02/2026

13 Cantilena - Poema de Maria de Santa Isabel





Que desperdício de Vida
fui deixando na distância
da minha vida parada…
da minha vida negada
já desde os longes da infância!

De encontro à esquina da Vida
quebrou-se a taça florida
do meu vinho transparente,
ambarino e reluzente,
que se entornou de repente!
Ficou na cinza apagada
a parte que me cabia:
o rescaldo da queimada…
sabor de melancolia!

Que desperdício de Vida,
a divagar, sonolento,
nos voos tristes do vento,
por campos vãos de abandono,
ante a minha alma dorida
que se arrepia de Outono!


Maria de Santa Isabel



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27/01/2026

14 Lagarto Pintado - Lengalengas Populares





Lagarto pintado, quem te pintou?
Foi uma menina que por aqui passou.

Lagarto verde, que te esverdeou?
Foi uma galinha que aqui passou.

Lagarto azul, que te azulou?
Foi a onda do mar que me molhou.

Lagarto amarelo, que te amarelou?
Foi o sol poente que em mim pisou.

Lagarto encarnado, que te encarniçou?
Foi uma papoila que para mim olhou.



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22/01/2026

15 Que bela seria a vida - Poema de Dorothy Jansson Moretti





Que bela seria a vida
se, acima de ódios mortais,
uma ponte fosse erguida
unindo margens rivais!


Dorothy Jansson Moretti



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16/01/2026

14 Sem Tempo - Poema de Maria de Santa Isabel





Rir, porquê?
Abriram as roseiras
e desfolharam na distância que vivi
intensa realidade!
Olhos pisados de lilases roxos
afundam na penumbra
pálpebras mortas
sem tempo de as fechar!

Cravos a rir de mim
onde a boca mordeu, em sangue, a luz!
Cantar, porquê?
se grita a fonte a música da sede
que não mata
o cântico dos longes…

Abrem magnólias puras no meu peito
em flores tão de cera que adormecem
cobertas de abandono,
beijadas pela noite…

Chorar, porquê?!
- Nem para tanto sobra o tempo de morrer!


Maria de Santa Isabel




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11/01/2026

18 A música, sim, a música - Poema de Fernando Pessoa




A música, sim, a música…
Piano banal do outro andar…
A música em todo o caso, a música...
Aquilo que vem buscar o choro imanente
De toda criatura humana,
Aquilo que vem torturar a calma
Com o desejo duma calma melhor…
A música… Um piano lá em cima
Com alguém que o toca mal
Mas é música…

Ah, quantas infâncias tive!
Quantas boas mágoas!
A música…
Quantas mais boas mágoas!
Sempre a música…
O pobre piano tocado por quem não sabe tocar.
Mas apesar de tudo é música.

Ah, lá conseguiu uma música seguida —
Uma melodia racional —
Racional, meu Deus!
Como se alguma coisa fosse racional!
Que novas paisagens de um piano mal tocado?
A música!... A música…!


Fernando Pessoa,
In Poesia



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07/01/2026

17 A Preguiça - Poema de Martins D’Alvarez






A preguiça ficou doente
Com preguiça de comer.
Preguiça não quis remédio
Com preguiça de beber.

Preguiça não sai de casa
Preguiça de levantar!
Preguiça não se espreguiça
Preguiça de esticar.

Preguiça tem tal preguiça
De sarar e de viver,
Que preguiça só não morre
Com preguiça de morrer.


Martins D’Alvarez




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02/01/2026

11 Canta. Busca na vida o que é perfeito - Poema de Fernanda de Castro





Canta. Busca na vida o que é perfeito.
Olha o Sol e não queiras outro guia.
Sonha com a noite e absorve, aspira o dia
tal uma flor que te florisse ao peito.

Da terra maternal faz o teu leito.
Respira a terra e bebe o luar. Confia.
Faz de cada pena uma alegria
E um bem de cada mal insatisfeito.

Colhe todas as flores do jardim,
todos os frutos do pomar e, enfim,
colhe todos os sonhos do Universo.

Procura eternizar cada momento,
fecha os olhos a todo o sofrimento
e terás feito a carne do teu verso.


Fernanda de Castro,
in "Daquém e Dalém Alma"



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27/12/2025

15 As Virtudes - Poema de Alphonsus de Guimaraens





São três irmãs, são três flores,
feitas de raios de luz.
Plantou-as, entre fulgores,
a mão santa de Jesus.

Uma é a Fé, outra, a Esperança,
vem a Caridade após…
Feliz de quem as alcança!
Vivem sempre junto a nós.

São belas como princesas.
A Caridade é talvez,
neste mundo de incertezas,
a mais formosa das três.


Alphonsus de Guimaraens




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15/12/2025

17 Natal dos pobres - Poema de Leonel Duarte Neves





Quando a mulher adormeceu
naquela noite de Natal,
o homem foi, pé ante pé,
pôr um sapato (dela, não seu)
com um embrulho de jornal
na lareirinha da chaminé.

Um casal pobre... um ano mau...
Era um pedaço de bacalhau.

Ora alta noite, pela janela,
com fome e frio, entrou um gato
que, no escuro, cheirando aquela
comida boa no sapato,
rasgou o embrulho, comeu, comeu
e, quente e farto, adormeceu.

De manhã cedo, ela acordou,
foi à cozinha e viu o gatinho
adormecido no seu sapato.
Voltando ao quarto, feliz, falou
para o seu homem: — Meu amorzinho,
como soubeste que eu queria um gato?


Leonel Duarte Neves



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12/12/2025

13 Arte poética poema de Vitorino Nemésio





A poesia do abstracto?
Talvez.
Mas um pouco de calor,
A exaltação de cada momento.
É melhor.
Quando sopra o vento
Há um corpo na lufada;
Quando o fogo alteou
A primeira fogueira,
Apagando-se fica alguma coisa queimada.
É melhor!
Uma ideia,
Só como sangue de problema;
No mais, não,
Não me interessa.
Uma ideia
Vale como promessa,
E prometer é arquear
A grande flecha.
O flanco das coisas só sangrando me comove,
E uma pergunta é dolorida
Quando abre brecha.
Abstracto!
O abstracto é sempre redução,
Secura.
Perde,
E diante de mim o mar que se levanta é verde:
Molha e amplia.
Por isso, não:
Nem o abstracto nem o concreto
são propriamente poesia.
Poesia é outra coisa.
Poesia e abstracto, não.

Vitorino Nemésio




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10/12/2025

18 Natal de quem?




Mulheres atarefadas
Tratam do bacalhau,
Do perú, das rabanadas.

-- Não esqueças o colorau,
O azeite e o bolo-rei!

- Está bem, eu sei!

- E as garrafas de vinho?

- Já vão a caminho!

- Oh mãe, estou pr'a ver
Que prendas vou ter.
Que prendas terei?

- Não sei, não sei...

Num qualquer lado,
Esquecido, abandonado,
O Deus-Menino
Murmura baixinho:

- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?

Senta-se a família
À volta da mesa.
Não há sinal da cruz,
Nem oração ou reza.
Tilintam copos e talheres.
Crianças, homens e mulheres
Em eufórico ambiente.
Lá fora tão frio,
Cá dentro tão quente!

Algures esquecido,
Ouve-se Jesus dorido:
- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?

Rasgam-se embrulhos,
Admiram-se as prendas,
Aumentam os barulhos
Com mais oferendas.
Amontoam-se sacos e papeis
Sem regras nem leis.
E Cristo Menino
A fazer beicinho:
- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?

O sono está a chegar.
Tantos restos por mesa e chão!
Cada um vai transportar
Bem estar no coração.
A noite vai terminar
E o Menino, quase a chorar:
- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?
Foi a festa do Meu Natal
E, do princípio ao fim,
Quem se lembrou de Mim?
Não tive teto nem afeto!

Em tudo, tudo, eu medito
E pergunto no fechar da luz:

- Foi este o Natal de Jesus?!!!


João Coelho dos Santos, in Lágrima do Mar – 1996


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05/12/2025

15 A estrelinha - Poema de Martins D'Alvarez




Vejo, à noite, uma estrelinha,
no céu, piscando, piscando..
Mamãe diz que ela, de longe,
pisca, pisca, é me chamando...

Quando eu crescer e papai
me comprar um avião,
vou te buscar, estrelinha,
na palma da minha mão.


Martins D'Alvarez




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01/12/2025

13 Poemas incertos - Poema de Maria de Santa Isabel




Os poemas incertos
em tempos perdidos
foram descobertos
pelos meus sentidos!
Abriram as asas,
levaram o sonho
sobre ideias rasas
que ainda suponho
vestir de poesia:
Desencontros de Alma
que, no dia a dia,
benze a verde palma
da Melancolia!


Maria de Santa Isabel



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25/11/2025

19 Infância - Poema de Celeste Laus





Quando recordo o tempo de criança
revivendo aquela fase linda,
envolvo-me em magia mansa
julgando-me ser criança ainda!

Temos sempre e sentimos dentro de nós
um pouco da linda e frágil criança,
aquela que vive simplesmente a sós
imaginando sonhos de esperança.

E neste vai e vem de nossa vida,
vez em quando uma lembrança remexida
nos torna feliz, momentaneamente.

Quase sempre é a imagem colorida
através de uma lágrima escorrida,
lembrando a criança que fomos antigamente.


Celeste Laus
In A Décima Carta



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20/11/2025

23 A Boneca - Poema de Presciliana Duarte de Almeida





Que boneca tão bonita
Aquela que ontem ganhei!
Pus-lhe um vestido de chita,
Que eu mesma fiz e cortei.

Seu cabelinho é tão louro
Como cabelo de milho.
Minha boneca é um tesouro,
Tem sapatos e espartilho!

Vou lhe fazer uma cama,
Vou lhe bordar um lençol,
Para tão mimosa dama
Farei fronhas de molmol.

Depois, para o batizado,
Hei de arranjar uma festa:
Um altar muito enfeitado,
Em meio de uma floresta…

Convidarei as amigas
Com quem costumo brincar,
E muito lindas cantigas
Hei de com elas cantar.

Há de haver presunto e bala,
Sorvete para a madrinha,
E desse dia de gala
Minha boneca é a rainha!


Presciliana Duarte de Almeida



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15/11/2025

17 Saudade - Poema de João de Deus





Tu és o cálix;
Eu, o orvalho!
Se me não vales,
Eu o que valho?

Eu se em ti caio
E me acolheste
Torno-me um raio
De luz celeste!

Tu és o colo
E acho consolo,
Mimo e regalo:

A folha curva
Que se aljofara,
Não d'agoa turva,
Mas d'agoa clara!

Quando me passa
Essa existencia,
Que é toda graça,
Toda innocencia,

Além da raia
D'este horizonte—
Sem uma faia,
Sem uma fonte;

O passarinho
Não se consome
Mais no seu ninho
De frio e fome,

Se ella se ausenta,
A boa amiga,
Ah! que o sustenta
E que o abriga!

Sinto umas magoas
Que se confundem
Com as que as agoas
Do mar infundem!

E quem um dia
Passou os mares
É que avalia
Esses pezares!

Só quem lá anda
Sem achar onde
Sequer expanda
A dôr que esconde;

Longe do berço,
Morrendo á mingoa,
Paiz diverso...
Diversa lingoa...

Esse é que sabe
O meu tormento,
Mal se me acabe
Aquelle alento!

Ah, nuvem branca
Ah, nuvem d'oiro!
Ninguem me estanca
Amargo choro;

E assim que passes
Mesmo de largo...
Vê n'estas faces
Se há pranto amargo.

Tu és o norte
Que me desvias
De ir dar á morte
Todos os dias;

A larga fita
Que d'alto monte
Cerca e limita
O horizonte!

Tu és a praia
Que eu solicito!
Tu és a raia
D'este infinito!

Se há uma gruta
Onde me esconda
Á força bruta
Que traz a onda;

Á força imensa
D'esta corrente
D'alma que pensa,
Alma que sente;

Se há uma vela,
Se há uma aragem,
Se há uma estrela,
N'esta viagem...

É quem eu amo,
A quem adoro!
E por quem chamo!
E por quem choro!


João de Deus, in "Ramo de Flores"



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10/11/2025

17 Rezando a uma Estrela - Poema de Maria de Santa Isabel





Rezando a uma estrela
perdi-me na tarde…
(que o tempo não arde
o meu sonho por ela).
Instantes de seda,
tão leves, rasgados
na lâmina de água
que mal se arrepia
de prata! Poesia
numa labareda
que se tarde esfolha
numa flor de sol
que abriu numa estrela!


Maria de Santa Isabel



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