19/08/2026

Extravio - Poema de Ferreira Gullar


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Onde começo, onde acabo,
se o que está fora está dentro
como num círculo cuja
periferia é o centro?

Estou disperso nas coisas,
nas pessoas, nas gavetas:
de repente encontro ali
partes de mim: risos, vértebras.

Estou desfeito nas nuvens:
vejo do alto a cidade
e em cada esquina um menino,
que sou eu mesmo, a chamar-me.

Extraviei-me no tempo.
Onde estarão meus pedaços?
Muito se foi com os amigos
que já não ouvem nem falam.

Estou disperso nos vivos,
em seu corpo, em cada olfato,
onde durmo feito aroma
ou voz que também não fala.

Ah, ser somente o presente:
esta manhã, esta sala.


Ferreira Gullar



15 comentários:

  1. Muito lindo o poema que trouxeste hoje,Maria!
    Ótimo dia! beijos, chica

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  2. Gostei de ler. Não conhecia nem poema nem poeta.
    : )

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  3. Me gusto el poema. Te mando un beso.

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  4. Copy paste do comentário da Catarina.
    Bjs

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  5. Amiga Maria, bom dia de Paz!
    Ser somente o presente, o dia de hoje é pura sabedoria
    Tenha dias abençoados!
    Beijinhos fraternos

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  6. Bom dia Maria,
    Um poema magnífico, que emociona!
    Goste imenso. Vou pesquisar sobre o autor.
    Muito obrigada pela partilha.
    Beijinhos e abençoado dia.
    Emília

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  7. Complejo es para quien pierde el norte de su vida...

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  8. Nunca me habría imaginado que un extravió pudiera ser convertido en un poema con tanta belleza, lo cual nos habla de la genialidad del poeta.

    Saludos.

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  9. el presente es hoy...
    Un beso, María.
    Te invito también a pasar por mi blog, por lo que me dicen siguen sin actualizarse mis entradas. Gracias.
    Feliz día.

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  10. Moc děkuji za pěknou báseň od básníka, kterého jsem neznala. Ferreira Gullar byl brazilský básník, dramatik, esejista a umělecký kritik, který se stal jednou z nejvlivnějších osobností brazilské literatury 20. století.
    Moc ráda se na Tvém blogu poučím, Mario!

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