quarta-feira, 6 de setembro de 2017

A Borboleta Azul





No alegre sol de então
De uma manhã de amor,
A borboleta solta no fulgor
Da luz, lembrava um leve coração.
Ia e vinha e a voar
Gentil e trêfega, azul,
Sonoramente a percorrer pelo ar,
Como um silfo tenuíssimo e taful.
Sobre os frescos rosais
Pousava débil, subtil,
Doirando tudo de um risonho abril
Feito de beijos e de madrigais.

Que doce embriaguez
O voo assim seguir
Da borboleta azul, correndo, a vir
Do espaço pela Etérea candidez!

Fazendo, tal e qual,
O mesmo giro assim,
O mesmo voo límpido, sem fim,
Nos mundos virgens de qualquer ideal.

Ir como ela também
Em busca das loucas
E tropicais e fulgidas manhãs
Cheias de colibris e sol, além…

Ir com ela na luz
De mundos através,
Sem abrolhos nas mãos, cardos nos pés,
Ó alma, minha, que alegria a flux!…

No alegre sol de então
De uma manhã de amor
A borboleta solta no fulgor
Da luz, lembrava um leve coração.


João da Cruz e Souza ( Livro Derradeiro)


10 comentários:

  1. Não conhecia o poema e o poeta.
    E gostei imenso.

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  2. Gostei desse bailado poético entre o sol e a borboleta azul nos madrigais.
    Que esse amor que transparece também possa habitar em nossos corações

    bjs

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  3. Intensamente lindo e lírico, parabéns Maria pela sensibilidade...publicação maravilhosa! abraços, ania..

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  4. Que poesia encantadora Maria Rodrigues!
    Amo borboletas.rs
    Bjs-Carmen Lúcia.

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  5. O voo de uma borboleta lembra mesmo um coração leve, né Maria?
    Que bela analogia do poeta!

    ABÇ
    JAN

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  6. Belíssimo poema que partilhou querida amiga ,muitos beijinhos felicidades

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  7. Boa noite, querida Maria!
    Que lindo! Amei e o azul mexe demais comigo...
    Seaj feliz e abençoada!
    Bjm de paz e bem

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  8. Muito bonito, o poema... de uma sutileza, que impressiona!
    Beijos,
    Valéria

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  9. Este poeta brasileiro do séc. XIX consegue emocionar-nos pela sensibilidade à natureza simples, imediata e nela transfigurar emoções.
    Belo, Maria!
    Beijinho.

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