sábado, 24 de junho de 2017

Hino á Solidão - Poema de António Feijó




Diz-se que a solidão torna a vida um deserto;
Mas quem sabe viver com a sua alma nunca
Se encontra só; a Alma é um mundo, um mundo
                                                                [aberto
Cujo átrio, a nossos pés, de pétalas se junca.

Mundo vasto que mil existências povoam:
Imagens, concepções, formas do sentimento,
— Sonhos puros que nele em beleza revoam
E ficam a brilhar, sóis do seu firmamento.

Dia a dia, hora a hora, o Pensamento lavra
Esse fecundo chão onde se esconde e medra
A semente que vai germinar na Palavra,
Cantar no Som, flores na Cor, sorrir na Pedra!

Basta que certa luz de seus raios aqueça
A semente que jaz na sua leiva escondida,
Para que ela, a sorrir, desabroche e floresça,
De perfumes enchendo as estradas da Vida.

Sei que embora essa luz nem para todos tenha
O mesmo brilho, o mesmo impulso criador,
Da Glória, sempre vã, todo o asceta desdenha,
Vivendo como um deus no seu mundo interior.

E que mundo sublime, esse em que ele se agita!
Mundo que de si mesmo e em si mesmo criou,
E em cuja criação o seu sangue palpita,
Que não há deus estranho aos orbes que formou.

Nem lutas, nem paixões: ideais serenidades
Em que o Tempo se esvai sob o encanto da Hora...
O passado e o porvir são ânsias e saudades:
Só no instante que passa a plenitude mora.

Sombra crepuscular, que a Noite não atinge,
Nem a Aurora desfaz: rosicler e luar,
Meia tinta em que a Alma abre os lábios de Esfinge,
E o seu mistério ensina a quem sabe escutar.

Mas então, inundando essa penumbra doce,
De não sei que sublime esplendor sideral,
Como se a emanação dum ser divino fosse,
Deixa no nosso olhar um reflexo imortal.

Na vertigem que a vida exalta e desvaria,
Pára alguém para ouvir um coração que bate
No seio mais formoso, o olhar que se extasia
Vê o mundo que nele em ânsias se debate?

É só na solidão que a alma se revela,
Como uma flor nocturna as pétalas abrindo,
A uma luz, que é talvez o clarão duma estrela,
Talvez o olhar de Deus, de astro em astro caindo...

E dessa luz, a flor sem forma, há pouco obscura,
Recebe o seu quinhão de graça e de pureza,
Como das mãos do artista, animando a escultura,
O mármore recebe a sua alma — a Beleza.

Se sofrer é pensar, na paz do isolamento,
Como dum cálix cheio o líquido extravasa,
A Dor, que a Alma empolgou, transborda em
                                                          [pensamento,
E a pouco e pouco extingue o fogo em que se
                                                                   [abrasa.

Como a montanha de oiro, a Alma, em seu
                                                             [mistério,
À superfície nunca o seu teor revela;
Só depois de sondado e fundido o minério
Se conhece a riqueza acumulada nela.

Corações que a Existência em tumulto arrebata!
Esse oiro só se extrai do minério candente,
No silêncio, na paz, na quietação abstracta,
Das estrelas do céu sob o olhar indulgente...


António Feijó

(www.citador.pt) 



sexta-feira, 23 de junho de 2017

FARÓIS em PINTURA




Faróis .... uma luz que guia e encaminha para um porto seguro.


Pintura: Dennis P. Lewan

Pintura: Jerry Arnell

Pintura: Sun Kim

Pintura: Lucie Bilodeau


"Há pessoas que iluminam a nossa vida, assim como um farol numa noite escura." 
(António Ramos da Silva) 


Pintura: Rudi Reichardt

Pintura: Dennis P. Lewan

Pintura: Carl Valente

Pintura: Dennis P. Lewan


"A desconfiança é o farol que guia o prudente."
(William Shakespeare)


Pintura: Wallpaper

Pintura: Thomas Kinkade

Pintura: Thomas Kinkade

Pintura: Steve Sundram

Pintura: Judy Gibson


"A inteligência é o farol que nos guia, mas é a vontade que nos faz caminhar."
(Érico Veríssimo)


Pintura: Wallpaper

Pintura: Thomas Kinkade

Pintura: Dennis P. Lewan

Pintura: Dona Gelsinger

Pintura: Wallpaper


Que todos tenham sempre a luz de um "Farol" a iluminar o seu caminho.


quinta-feira, 22 de junho de 2017

Ser Pássaro




Quisera ser pássaro
Liberta de preocupações
E cruzando mares e terras
Abençoar as amplidões !

Levaria mensagens

A longínquos destinos:
... restos de saudades!

Em outras paragens

De redobrados caminhos
Eu cantaria meus hinos:
... horizontes de carinhos !

Na leveza da graça,

Rapidez do passo,
Plumagem da raça,
Que seria doçura
Desconhecendo a amargura ...

E traria o amanhecer

Entre as mãos
Como promessa de vida,
Ater cegar-me o entardecer!

Aos céus em oração,

Eu ensinaria aos homens:
“O VOO DA PERFEIÇÃO”!


Alvina Tzovenos, em "Sonhos e vivências".


quarta-feira, 21 de junho de 2017

Portas de Rodão




O meu marido passou à já algum tempo por Vila Velha de Ródão, uma vila no distrito de Castelo Branco. Subiu até à zona do Castelo e como sabe o quanto aprecio fotografias, fez uma pequena reportagem fotográfica que eu organizei aqui.










O Castelo de Ródão, também referido como Castelo do Rei Wamba, está erguido numa escarpa sobranceira ao rio Tejo, sobre as chamadas Portas de Ródão. Lá do alto a vista panorâmica sobre o Vale do Tejo é espantosa.










As "Portas de Ródão", classificadas como Monumento Natural em 2009, são uma formação geológica situada perto de Vila Velha de Ródão, resultante da intersecção do duro relevo quartzítico da Serra das Talhadas com o curso do rio Tejo. Neste local há um estreitamento do vale, que aqui corre entre duas paredes escarpadas, que atingem cerca de 170 m de altura, fazendo lembrar duas "portas".






Texto explicativo: wikipedia
Fotos: António Rodrigues


terça-feira, 20 de junho de 2017

MACAU - Passeando pelo Bairro e Igreja S. Lázaro




Num dos nossos passeios fomos até ao lindo Bairro de S. Lázaro, antiga zona residencial de chineses católicos de Macau.








Localizada neste bairro, a Igreja de S. Lázaro, também conhecida como Igreja de Nossa Senhora da Esperança, é uma das três igrejas mais antigas de Macau, tendo o primeiro edifício sido edificada entre 1557 e 1560. O atual edifício foi construído entre 1885 e 1886. 







Estátua de S. Roque, o santo protector das epidemias. Há mais de 200 anos que anualmente se celebra no segundo Domingo de Julho, uma festa em sua homenagem. No adro da Igreja, à entrada, é erguida a Cruz da Esperança da capela original.







Fotos: Pessoais
Texto explicativo: wikipedia