quinta-feira, 27 de abril de 2017

Lembrança - Poema de Guilherme de Almeida




Lembro o pudor da paisagem
e a fanfarra de perfumes
que o claro clarim dos lírios
abria nas madrugadas.

Lembro o susto dos insetos
na castidade das águas,
e as asas do pó fugindo
atrás da luz desnudada.

Lembro a fala dos caminhos
ao longo dos passos cegos,
e os ventos enovelados
na cabeleira das nuvens.

Lembro o bulício da palha
quando pisavas a tarde,
os olhos cheios de folhas
e as mãos repletas de ninhos.

Lembro a noite dos meus olhos
sem luas no seu silêncio,
quando ficavas na sombra
e a sombra ficava estrela.

Lembro a palavra parada
na flor adiada da boca,
e lembro o beijo retido
ao gesto alado de adeuses.


Guilherme de Almeida



7 comentários:

  1. Lembranças que nos fazem sonhar e viver querida amiga, desejo-lhe uma quinta-feira muito feliz beijinhos no coração

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  2. Que lindo poema de Guilherme de Almeida.
    Adorei Maria Rodrigues.
    Bjs-Carmen Lúcia.

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  3. Não conhecia, mas gostei muito!

    Beijinho Maria

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  4. Mais uma maravilhosa descoberta poética... que adorei ler!...
    Não conhecia o autor!...
    Beijinhos
    Ana

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“Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós” (Antoine de Saint-Exupery).

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