segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Um sorriso - Poema de Manuel Bandeira




Vinha caindo a tarde. Era um poente de agosto.
A sombra já enoitava as moitas. A humidade
Aveludava o musgo. E tanta suavidade
Havia, de fazer chorar nesse sol-posto.

A viração do oceano acariciava o rosto
Como incorpóreas mãos. Fosse mágoa ou saudade,
Tu olhavas, sem ver, os vales e a cidade.
— Foi então que senti sorrir o meu desgosto...

Ao fundo o mar batia a crista dos escolhos...
Depois o céu... e mar e céus azuis: dir-se-ia
Prolongarem a cor ingênua de teus olhos...

A paisagem ficou espiritualizada.
Tinha adquirido uma alma. E uma nova poesia
Desceu do céu, subiu do mar, cantou na estrada...


Manuel Bandeira

9 comentários:

  1. Maravilhoso querida amiga desejo-lhe uma semana muito feliz beijinhos no coração

    ResponderEliminar
  2. Fantástico, maravilhoso. Boa escolha. Adorei.

    Excelente semana. Beijo

    http://coisasdeumavida172.blogspot.pt/

    ResponderEliminar
  3. Ler Manuel Bandeira é sempre um privilégio. Obrigada por publicá-lo aqui.
    Uma boa semana.
    Beijos.

    ResponderEliminar
  4. Os poemas de Manuel Bandeira são sempre de grande beleza.
    Tenha uma boa semana.

    ResponderEliminar
  5. Como vai amiga?
    Amo vim aqui e ler seus Posts.
    Obrigada pela visita.
    Beijos... Fátima.

    ResponderEliminar
  6. Gosto imenso de sonetos.
    Esse sol-posto, que termo!
    Beleza nas estrofas.
    Muchos besos

    ResponderEliminar
  7. Lindo poema, tens bom gosto.

    Queria amiga, Maria Rodrigues, obrigada pelo carinho de sua visita.

    Beijo.

    Nanda

    ResponderEliminar
  8. Olá amiga Maria!...peço desculpa por esta minha ausência.
    Quero dizer que tenho andado um tanto afastada...mas sempre com as aminhas amisades
    no meu coração!
    É sempre para mim um prazer admirar o seu maravilhoso blog...aproveito para agradecer
    as suas agradáveis visitas que tão bem me fazem.
    Admiro demais as suas paisagens...estou a descubrir que sou sua fã.
    Adoro viajar...mas em fotos não sou nada, você nasceu para isso é um crak.
    Adorei esse lindo poema de Manuel Bandeira. Beijinho querido de sua amisade.
    Porque é Natal... Lhe desejo um Santo e feliz Natal junto de todos os que lhe são mais queridos.
    Luisa Fernandes

    ResponderEliminar

“Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós” (Antoine de Saint-Exupery).

Obrigado pela sua visita e pelo carinho que demonstrou, ao dispensar um pouco do seu tempo, deixando aqui no meu humilde cantinho, um pouco de si através da sua mensagem.