sábado, 29 de outubro de 2016

Soneto I - William Shakespeare




Dentre os mais belos seres que desejamos enaltecer,
Jamais venha a rosa da beleza a fenecer,
Porém mais madura com o tempo desfaleça,
Seu suave herdeiro ostentará a sua lembrança;

Mas tu, contrito aos teus olhos claros,
Alimenta a chama de tua luz com teu próprio alento,
Atraindo a fome onde grassa a abundância;
Tu, teu próprio inimigo, és cruel demais para contigo.

Tu, que hoje és o esplendor do mundo,
Que em galhardia anuncia a primavera,
Em teu botão enterraste a tua alegria,
E, caro bugre, assim te desperdiças rindo.
Tem dó do mundo, ou sê seu glutão –
Devora o que cabe a ele, junto a ti e à tua tumba.


William Shakespeare


6 comentários:

  1. Somos seres inconstantes que nem sempre sabemos valorizar aquilo que possuímos.
    Poemas com sabor a vida.

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  2. Maravilhosa partilha querida amiga ,desejo-lhe um sábado muito feliz ,beijinhos

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  3. Que maravilha de poema! Parabéns

    Beijo
    Bom fim de semana.

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  4. Uma marca de Shakespeare esta interiorização,
    esta busca no social muito linda, que fez dele este mestre.
    Bela partilha Maria com seu belo gosto e cultura.
    Abraços.
    Bjs de paz.

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  5. Mais uma escolha notável! Belo e profundo poema!
    Beijinhos
    Ana

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“Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós” (Antoine de Saint-Exupery).

Obrigado pela sua visita e pelo carinho que demonstrou, ao dispensar um pouco do seu tempo, deixando aqui no meu humilde cantinho, um pouco de si através da sua mensagem.