quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Rimance - Poema de Cecilia Meireles





Onde é que dói na minha vida,
para que eu me sinta tão mal?
quem foi que me deixou ferida
de ferimento tão mortal?

Eu parei diante da paisagem:
e levava uma flor na mão.
Eu parei diante da paisagem
procurando um nome de imagem
para dar à minha canção.

Nunca existiu sonho tão puro
como o da minha timidez.
Nunca existiu sonho tão puro,
nem também destino tão duro
como o que para mim se fez.

Estou caída num vale aberto,
entre serras que não têm fim.
Estou caída num vale aberto:
nunca ninguém passará perto,
nem terá notícias de mim.

Eu sinto que não tarda a morte,
e só há por mim esta flor;
eu sinto que não tarda a morte
e não sei como é que suporte
tanta solidão sem pavor.

E sofro mais ouvindo um rio
que ao longe canta pelo chão,
que deve ser límpido e frio,
mas sem dó nem recordação,
como a voz cujo murmúrio
morrerá com o meu coração...


Cecília Meireles, in 'Viagem'



12 comentários:

  1. Olá Maria!
    Depois de umas férias e tropeços pelo meio, vou indo aos poucos retomar o contacto com os amigos
    que só ao longe vejo a falta que fazem
    Espero que tenha tido um bom descanso.
    Da poesia , que dizer?
    Depois da beleza e musicalidade, do fascínio pela paisagem...esqueci a morte!
    Belos os seus postes como sempre.
    Beijinho

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  2. Adoro a poesia de Cecília Meireles que me faz lembrar a nossa Florbela.

    Um beijinho amiga Maria

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  3. Maravilhoso de mais.

    Beijo

    http://coisasdeumavida172.blogspot.pt/

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  4. Simplesmente um poema encantador querida amiga ,beijinhos muitas felicidades

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  5. Apesar da grande desolação narrada neste eu lírico o poema é de uma beleza ímpar
    Beijokas com meu carinho Maria

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  6. Um belo poema apesar de eu gostar mais da prosa dessa grande escritora brasileira.
    Um abraço e continuação de boa semana.
    Andarilhar

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  7. Bom dia, Maria

    Li, há dias num outro blog, notícias de Cecília Meireles e assim tenho presente a sua biografia, uma vida sofrida, o que justifica bem este belo poema, tão triste. Adorei encontrá-la aqui.

    Bom fim de semana.

    Bj

    Olinda

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  8. Maria
    Cecilia Meireles, dispensa apresentações, sempre gosto dos seus poema, mesmo como este que me parece, mais lírico-nostálgico.
    Veja e comente o post
    Cidade de NATAL – A OCUPAÇÃO HOLANDESA
    http://amornaguerra.blogspot.pt/
    BRASIL: SORRISO DE DEUS.
    Beijos

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  9. Precioso poema en tono de lamento, María.
    Un beso :)

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  10. Belíssimo poema,Maria querida amiga.Parabéns pela escolha de Cecília Meirelles. Tristeza nele,mas aliada à maestria da grande poeta,torna_se pérola!

    Obrigada pela visita e excelente comentário!

    Ótimo finalzinho de sexta e um fim de semana de Paz Profunda!

    Beijos sabor carinho

    Donetzka

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  11. Olá amiga Maria, mais um belo poema de Cecíla Meireles...Lindo mas um pouco nostálgico.
    A poesisa é mesmo assim... é como o vento.. ela muda conforme o momento! Gostei, tanto quanto a bela postagem que tão bem acompanhava. Beijinho carinhoso de Luisa
    //poemasdaminhalma.blogspot.pt

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