quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Terra Ideal - Poema de Júlia Cortines




Como um pássaro, abrir na amplidão do horizonte
As asas eu quisera, e a uma terra voar
Que existe para além do píncaro do monte
E para além da toalha infinita do mar.

Terra onde o pálio azul das auroras se estende,
Sem nuvens, tinto de oiro o límpido fulgor,
Por sobre um solo verde e viçoso em que esplende
A água viva, a cantar entre margens em flor;

Onde os nimbos jamais, fustigados do açoite
Dos ventos, pelos céus rolam em turbilhões,
E onde o amplo manto arrasta a tenebrosa noite
De planetas broslado e de constelações;

E que do liminar de minha adolescência,
Entre sombras, a furto e a distância, entrevi,
E que em pleno verão e em plena florescência
Da raia do horizonte ainda me sorri...

E para onde eu estendo avidamente os braços,
E para onde se lança, atraído, o meu ser,
Vendo-a sempre, através de infinitos espaços,
De meus braços fugir, de minha alma correr...


Júlia Cortines



5 comentários:

  1. Bom dia.
    Excelente escolha.Amei de verdade.

    Beijo

    http://coisasdeumavida172.blogspot.pt/

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  2. Gostei de conhecer...
    Abraço com estima :)

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  3. Um poema cheio de beleza querida amiga ,muitos beijinhos no coração.

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  4. Maria, mais uma vez, belos versos, que tocam o coração e, atestam, o quanto é delicioso navegar por estas águas, que formam o teu doce e acolhedor cantinho.
    Deixo um beijinho, um forte abraço e o desejo de dias felizes.

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  5. O mar como uma toalha, margens em flore, constelações, a Júlia com tanta imaginação em poesia!
    Bjs

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“Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós” (Antoine de Saint-Exupery).

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