quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Rosa sem Espinhos - Poema de Almeida Garret




Para todos tens carinhos,
A ninguém mostras rigor!
Que rosa és tu sem espinhos?
Ai, que não te entendo, flor!

Se a borboleta vaidosa
A desdém te vai beijar,
O mais que lhe fazes, rosa,
É sorrir e é corar.

E quando a sonsa da abelha,
Tão modesta em seu zumbir,
Te diz: «Ó rosa vermelha,
» Bem me podes acudir:

» Deixa do cálix divino
» Uma gota só libar...
» Deixa, é néctar peregrino,
» Mel que eu não sei fabricar ...»

Tu de lástima rendida,
De maldita compaixão,
Tu à súplica atrevida
Sabes tu dizer que não?

Tanta lástima e carinhos,
Tanto dó, nenhum rigor!
És rosa e não tens espinhos!
Ai !, que não te entendo, flor.


Almeida Garrett, in 'Folhas Caídas'


3 comentários:

  1. Olá Maria, Rosas sempre são lindas até em poemas.
    Boa continuação de semana.

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  2. Maravilho querida amiga ,sempre um enorme prazer ler tão belos momentos ,beijinhos muitas felicidades.

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  3. Puro encanto!...
    Adorei ler as palavras de Garret!
    Como sempre, uma excelente escolha!
    Bjs
    Ana

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“Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós” (Antoine de Saint-Exupery).

Obrigado pela sua visita e pelo carinho que demonstrou, ao dispensar um pouco do seu tempo, deixando aqui no meu humilde cantinho, um pouco de si através da sua mensagem.