quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Destino




Quem disse à estrela o caminho
Que ela há-de seguir no céu?
A fabricar o seu ninho
Como é que a ave aprendeu?
Quem diz à planta «Florece!»
E ao mudo verme que tece
Sua mortalha de seda
Os fios quem lhos enreda?

Ensinou alguém à abelha
Que no prado anda a zumbir
Se à flor branca ou à vermelha
O seu mel há-de ir pedir?
Que eras tu meu ser, querida,
Teus olhos a minha vida,
Teu amor todo o meu bem...
Ai!, não mo disse ninguém.

Como a abelha corre ao prado,
Como no céu gira a estrela,
Como a todo o ente o seu fado
Por instinto se revela,
Eu no teu seio divino .
Vim cumprir o meu destino...
Vim, que em ti só sei viver,
Só por ti posso morrer.

Almeida Garrett




10 comentários:

  1. Brilhante poema! Parabéns.


    Beijinhos
    http://coisasdeumavida172.blogspot.pt/

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  2. Bom dia Maria,
    Linda poesia, ela nos prende à atenção. Não conhecia essa poetisa.
    Beijo no coração
    Dorli

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  3. Bom dia. é bom ler Almeida Garrett, seus poemas são profundos e belos.
    AG

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  4. Maria bom dia. Venho apreciar mais uma joia do teu acervo, e ao mesmo te convidar para dar uma passadinha nas Vozes de Minha Alma. Tenho poesia nova e gostaria que viesse Divagar. Um fraterno abraço, bjs.

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  5. Sempre um prazer enorme ler tão belos momentos ,beijinhos

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  6. Almeida Garrett, grande poeta, grande romântico.
    Gostei muito de reler este belo poema.

    Bj
    Olinda

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  7. O romantismo belo de Garret.
    Bela partilha Maria.
    Abraços

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“Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós” (Antoine de Saint-Exupery).

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