domingo, 30 de agosto de 2015

A Florista





Suspensa ao braço a grávida corbelha,
Segue a passo, tranquila... O sol faísca...
Os seus carmíneos lábios de mourisca
Se abrem, sorrindo, numa flor vermelha.

Deita à sombra de uma árvore. Uma abelha
Zumbe em torno ao cabaz... Uma ave, arisca,
Bem perto dela pelo chão lambisca,
Olhando-a, às vezes, trémula, de esguelha...

Aos ouvidos lhe soa um rumor brando
De folhas... Pouco a pouco, um leve sono
Lhe vai as grandes pálpebras cerrando...

Cai-lhe de um pé o rústico tamanco...
E assim descalça, mostra, em abandono,
O vultinho de um pé macio e branco.


Francisca Júlia da Silva




6 comentários:

  1. Olá, querida Maria
    Lindo de se ler e contemplar!
    Bjm fraterno

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  2. Bom dia
    Excelente poema! Adorei
    Beijo
    Bom Domingo.

    http://coisasdeumavida172.blogspot.pt/

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  3. Maria, minha querida, encanta-me sempre a delicadeza das tuas imagens e os poemas que as acompanham. Um mimo para os olhos, um presente para o coração.
    Grata pelas palavras de solidariedade lá no meu cantinho. Estou tentando voltar ao blog, esforçando-me para não transformá-lo numa "catarse" para as dores da alma.
    Deixo um carinhoso beijo no teu coração,
    Helena

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  4. Maria, minha querida: encantam-me as tuas imagens tão bem associadas a poemas e textos. Uma delicadeza da tua alma. Grata pelas palavras de solidariedade lá no meu cantinho.
    Deixo um beijo carinhoso no teu coração,
    Helena

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  5. Oi Maria,obrigada pela visita e comentário.
    Adorei os versos de Francisca Julia da Silva.
    Bem suaves.
    Bjs-Carmen Lúcia.

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“Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós” (Antoine de Saint-Exupery).

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