sábado, 17 de janeiro de 2015

Vozes da noite - Poema de Armando Côrtes-Rodrigues




Vozes na Noite! Quem fala
Com tanto ardor, tanto afã?
Falou o Grilo primeiro,
Logo depois foi a Rã.

Pobre loucura dos homens
Quando julgam entendê-las…
Só eles pasmam os olhos
Neste encanto das estrelas…

Lá no silêncio dos campos
Ou no mais ermo da serra,
Na voz das rãs dala a àgua,
Na voz dos grilos a Terra.

Só eles cantam a vida
Com amor e singeleza,
Por ser descuidada, alegre;
Por ser simples, com beleza.

Pudesse agora dizer-te,
Sem ser por palavras vãs,
O que diz a voz dos grilos,
O que diz a voz das rãs.

Armando Côrtes-Rodrigues


2 comentários:

  1. Não conhecia! Obrigada Maria pela partilha.
    Recordei muitas noites que apenas ouvia os grilos e rãs, quando vivia no campo.

    Beijinho minha querida e um bom fim de semana

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  2. Um poema muito bonito. Lentamente perde-se a sensibilidade do canto da natureza. A vida agitada e a cegueira do bem estar ou da felicidade parecem cegar este mundo onde vivêmos

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“Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós” (Antoine de Saint-Exupery).

Obrigado pela sua visita e pelo carinho que demonstrou, ao dispensar um pouco do seu tempo, deixando aqui no meu humilde cantinho, um pouco de si através da sua mensagem.