sábado, 6 de dezembro de 2014

Ergo uma rosa - Poema de José Saramago




Ergo uma rosa, e tudo se ilumina
Como a lua não faz nem o sol pode:
Cobra de luz ardente e enroscada
Ou vento de cabelos que sacode.

Ergo uma rosa, e grito a quantas aves
O céu pontuam de ninhos e de cantos,
Bato no chão a ordem que decide
A união dos demos e dos santos.

Ergo uma rosa, um corpo e um destino
Contra o frio da noite que se atreve,
E da seiva da rosa e do meu sangue
Construo perenidade em vida breve.

Ergo uma rosa, e deixo, e abandono
Quanto me dói de mágoas e assombros.
Ergo uma rosa, sim, e ouço a vida
Neste cantar das aves nos meus ombros. "


José Saramago 


6 comentários:

  1. Eu ergo uma rosa e ofereço a vc
    minha doce amiga bjãooooo

    Bom final de semana

    └──●► *Rita!!

    ResponderEliminar
  2. Poema lindo e verdadeiro que não conhecia.
    Beujinho e obrigada, Maria.

    ResponderEliminar
  3. Eu ergo um monte de rosas aos seus belíssimos posts!

    ResponderEliminar

“Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós” (Antoine de Saint-Exupery).

Obrigado pela sua visita e pelo carinho que demonstrou, ao dispensar um pouco do seu tempo, deixando aqui no meu humilde cantinho, um pouco de si através da sua mensagem.