quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Meditação - Poema Fernanda de Castro

Às vezes, quando a noite vem caindo,
Tranquilamente, sossegadamente,
Encosto-me à janela e vou seguindo
A curva melancólica do Poente.

Não quero a luz acesa. Na penumbra,
Pensa-se mais e pensa-se melhor.
A luz magoa os olhos e deslumbra,
E eu quero ver em mim, ó meu amor!

Para fazer exame de consciência
Quero silêncio, paz, recolhimento
Pois só assim, durante a tua ausência,
Consigo libertar o pensamento.

Procuro então aniquilar em mim,
A nefasta influência que domina
Os meus nervos cansados; mas por fim,
Reconheço que amar-te é minha sina.

Longe de ti atrevo-me a pensar
Nesse estranho rigor que me acorrenta:
E tenho a sensação do alto mar,
Numa noite selvagem de tormenta.

Tens no olhar magias de profeta
Que sabe ler no céu, no mar, nas brasas...
Adivinhas... Serei a borboleta
Que vendo a luz deixa queimar as asas.

No entanto — vê lá tu!— Eu não lamento
Esta vontade que se impõe à minha...
Nem me revolto... cedo ao encantamento...
— Escrava que não soube ser Rainha!


Maria Fernanda Telles de Castro e Quadros

Blog: Fernanda de Castro



4 comentários:

  1. Bom dia amiga Maria que poema lindo maravilhoso minha amiga adorei ler e ficar a meditar em versos tão lindos um abração com muito carinho bjs marlene

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  2. Olá Maria:)

    Que lindo poema! Com a chuva que cai lá fora sabe bem ler algo que anima a alma:)

    Continuação de boa semana:)
    Beijinhos

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  3. Maria, espero que a filhota esteja melhor, que aborrecimento. Força querida amiga, dê noticias se possível.
    As melhoras e beijinhos

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“Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós” (Antoine de Saint-Exupery).

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