quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Jardim Perdido - Poema de Sophia de Mello Breyner Andresen





Jardim perdido, a grande maravilha
Pela qual eternamente em mim
A tua face se ergue e brilha
Foi esse teu poder de não ter fim,
Nem tempo, nem lugar e não ter nome.

Sempre me abandonaste à beira duma fome.
As coisas nas tuas linhas oferecidas
Sempre ao meu encontro vieram já perdidas


Em cada um dos teus gestos sonhava
Um caminho de estranhas perspectivas,
E cada flor no vento desdobrava
Um tumulto de danças fugitivas.

Os sons, os gestos, os motivos humanos
Passaram em redor sem te tocar,
E só os deuses vieram habitar
No vazio infinito dos teus planos


Sophia de Mello Breyner Andresen

3 comentários:

  1. Olá Maria, belíssimo poema introspectivo de Sophia, a minha poetisa preferida! Beijinhos e os meus votos de um bom fim de semana. Ailime

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  2. Très joli j'aime beaucoup !
    Have a lovely weekend!- Cath.

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  3. Belíssimo poema. Há amores que não se deixam conquistar por inteiro. por que não se doam por inteiro.
    Bjs. Quero te desejar um Natal e Ano Novo repletos de paz e alegria.

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“Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós” (Antoine de Saint-Exupery).

Obrigado pela sua visita e pelo carinho que demonstrou, ao dispensar um pouco do seu tempo, deixando aqui no meu humilde cantinho, um pouco de si através da sua mensagem.