quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Traduzir-se




TRADUZIR-SE

Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
alomoça e janta:
outra parte
se espanta.
Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir uma parte
na outra parte
_ que é uma questão
de vida ou morte _
será arte?

Ferreira Gullar "Na vertigem do dia"



6 comentários:

  1. Olá Maria:
    Gostei demais desse poema é divertido e real, há dias em que me sinto assim,kkkk
    beijos, Léah

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  2. Oi querida,
    Linda poesia e linda imagem
    Não conheço o autor
    Beijos
    Lua Singular

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  3. Que maravilha!!!
    Que nós consigamos sempre através da vida juntar as duas partes....
    bjs
    anacosta

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  4. Maria, querida amiga
    Não conheço muito da obra de Ferreira Gullar, mas o suficiente para saber que se trata de um grande poeta brasileiro.
    Este poema é muito bonito, fazendo sobressair os grandes contrastes que existem no ser humano.
    Como se aproxima o fim de semana aproveito para desejar que o possa gozar em Paz e Amor.
    Beijinhos
    Mariazita
    (Link para o meu blog principal)

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  5. Oi Maria!
    Este post ficou vertiginosamente lindo!

    Os versos são bem reflexivos...

    Abração
    Jan

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“Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós” (Antoine de Saint-Exupery).

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