segunda-feira, 20 de junho de 2011

Visitar Manteigas na Primavera


No início deste mês de Junho fui visitar novamente Manteigas, “O coração da Serra da Estrela” como diz o seu cartaz de apresentação. É uma vila lindíssima rodeada por grandiosas paisagens de grande beleza natural, situada no Distrito da Guarda em plena cadeia montanhosa da Serra da Estrela, a mais elevada em Portugal Continental.




Foi um fim-de-semana excelente e hoje proponho levá-los comigo a visitar alguns dos lindos locais de Manteigas, acompanhados com um pouco da sua história.

O primeiro foral de Manteigas foi-lhe concedido por D. Sancho I no ano de 1188. D. Manuel I concedeu-lhe o novo Foral a 4 de Março de 1514 em Lisboa. Este além do interesse que tem como documento comprovativo da autonomia da vila na época, assume grande significado por nele se achar a referência mais antiga e segura ao foral que D. Sancho I concedeu a Manteigas.

Está localizada em pleno Vale Glaciar do Zêzere, que com a sua forma perfeita em 'U' é um dos melhores exemplos da modelação da paisagem pelos glaciares.


Foto: Pessoal

Do Património edificado de Manteigas pode-se salientar:

• Igreja da Misericórdia
• Capela de Nossa Senhora de Fátima
• Igreja Matriz de Santa Maria


Foto: Pessoal

• Capela de Santa Luzia
• Capela do Senhor do Calvário
• Igreja de São Pedro

A vila é cheia de recantos incríveis. Numa das suas pequenas mas encantadoras ruas, junto a um pequeno ribeiro fomos encontrar um restaurante incrível: o “Dom Pastor". O restaurante é acolhedor, com um serviço que prima quer pela qualidade e apresentação cuidada da comida, quer pelo atendimento profissional e gentil do seu pessoal. Deixo aqui o seu site para quem queira conhecer um pouco mais “Dom Pastor”.


Foto: Pessoal

Manteigas tem locais encantadores, um património natural riquíssimo, hoje apenas indico alguns entre os muitos que há a salientar:

■ Valhelhas
Valhelhas é uma pequena povoação de origens muito antigas, situada num lindíssimo vale, na margem esquerda do rio Zêzere. Na Idade Média, Valhelhas foi doada à Ordem do Templo e aos seus frades, e posteriormente à Ordem de Cristo. As suas ruas tranquilas albergam um importante Património, como o Pelourinho datado de 1555 situado em frente ao antigo edifício dos Paços de Concelho e Cadeia, hoje Junta de Freguesia, a igreja Matriz de Santa Maria Maior de origens bem antigas, a Ponte Velha sobre o rio Zêzere, a Capela do Divino Corpo Santo de 1503, a Capela de Santo Antão ou São Sebastião datada de 1577.



Foto: Pessoal

Para comer divinalmente, recomendo nesta linda povoação, dois restaurantes pela excelente qualidade da comida e do serviço:

■ Restaurante Vallecula
■ Restaurante “Soadro Zêzere

■ Poço do Inferno
Um local que me fascina sempre e é, de há longa data um dos ex-libris da Serra da Estrela é o Poço do Inferno. A cascata, com cerca de 10 metros, deve-se à variação da litologia dos locais atravessados pela Ribeira de Leandres.





Algumas estradas pelo meio das montanhas são estreitas e nalguns sítios quase não dá para passarem dois carros, mas vale bem a pena percorrê-las. No meio das árvores surgem por vezes paisagens deslumbrantes, que podem ser apreciadas a partir de muitos miradouros, que se encontram de ambos os lados da estrada.



Foto: Pessoal

■ O vale glacier do Zezêre
Na subida para a Torre passámos pelo Vale Glaciar do Zêzere. Corresponde à maior língua glaciar da Serra da Estrela e uma das maiores da Europa, atingindo cerca de 13 km de extensão. Este vale é "diferente" por ser formado por um glaciar e não pelo rio que lhe dá o nome. Um glaciar é uma massa de gelo que se move de zonas de relevo mais altas, para zonas de relevo mais baixas e, através desse movimento, a rocha sobre a qual o glaciar passa, vai-se desgastando. Com esse desgaste, forma-se um vale em forma de "U" (se fosse um vale formado por um rio e não por um glaciar, o vale teria a forma de um "V").





O vasto comprimento deste vale glaciar é devido ao facto de ter sido alimentado por várias línguas: a língua da Nave de Santo António, Covão da Ametade, Candieira e Covões. Breve paragem na fonte Paulo Luís Martins datada de 1951 para beber água bem fresquinha que corria vinda do alto da montanha.



Foto: Pessoal

■ Covão da Ametade
Próxima paragem foi no Covão da Ametade. Este parque fica encaixado entre imponentes falésias. O Rio Zêzere, corre por entre frondosas árvores e pode ser atravessado por meio de pequenas pontes de madeira.



Foto: Pessoal

Na subida para a Torre, atravessamos um túnel escavado na montanha e como não havia trânsito, deu para parar e sentir a grandeza desta paisagem deslumbrante.



Foto: Pessoal

■ Nossa Senhora da Estrela
Paragem obrigatória para observar a Nossa Senhora da Estrela, esculpida em baixo relevo, na rocha, situada no Covão do Boi. A Senhora da Boa Estrela é padroeira dos Pastores e foi inaugurada em 1946.



Foto: Pessoal

A escultura, com mais de 7 metros de altura, foi elaborada por António Duarte, partindo de uma ideia do Pároco local que assistiu à demonstração de fé local quando foi implantado um Cruzeiro no ponto mais alto da imensa Serra da Estrela, e desejou prestar homenagem à Santa protectora dos Pastores que enfrentam há séculos as intempéries da agreste região. Uma escadaria, também esculpida na pedra, permite chegar mesmo á base da escultura.

Cada miradouro ao longo da estrada tem mais um ponto de interesse para ser observado. Desta vez foi para apreciar o enorme maciço rochoso do Cântaro Magro.



Foto: Pessoal

■ Torre
Paragem na Torre, segundo ponto mais alto de Portugal, situado a 1993 metros de altura. Um marco geodésico assinala o ponto mais elevado da Serra da Estrela.



Foto: Pessoal

Na rotunda foi construída também a Torre com cerca de 7 metros de altura e que deu o nome ao local. Conta-se que o referido torreão foi mandado construir, em 1802, pelo príncipe D. João VI, com o objectivo de fazer com que a Serra da Estrela alcançasse os 2 000 metros de altitude.



Foto: Pessoal

Na Torre para além de restauração e lojas com produtos típicos da região, encontra-se também a capela de Nossa Senhora do Ar.



Foto: Pessoal

■ Lazer e desporto

Skiparque
Em pleno Parque Natural da Serra da Estrela, a 7km de Manteigas, atravessado pelo Rio Zêzere, o Skiparque oferece a possibilidade de fazer Ski e Snowboard todo o ano em pistas sintéticas, disponibilizando ainda aulas com monitores de ski.  Visite o seu site para ficar a saber um pouco mais, em "Skiparque".




O complexo dispõe ainda de um Parque de Campismo, Parque Aventura, uma Praia Fluvial e bares de apoio. Num vale rodeado de vegetação e montanhas, com água límpida a correr, é um local onde se respira paz e serenidade.





Todo o enquadramento está maravilhoso e com as cerejeiras em flôr ainda se torna mais encantador.




Parapente – “Clube Vertical”
Para quem gosta de emoção nada melhor do que um voo de parapente sobre uma paisagem deslumbrante. A Escola de Parapente da Serra da Estrela é uma Escola de Voo Livre de montanha. O “Clube Vertical” dá formação desde a iniciação até ao nível 5. A Escola está sedeada no Sameiro.
De 25 a 30 de Junho irá realizar-se a uma prova do “Open Nórdico de parapente 2011”, uma das competições de parapente mais importantes da Europa. Para mais informações visite o seu site: “Clube Vertical”.



Foto: Net

A região prima por uma beleza natural única, com paisagens absolutamente magníficas, que associada a uma excelente gastronomia e à gentileza das suas gentes, faz com que fique sempre a vontade de voltar.

Vá visitar, Vale a pena!

Fontes e Fotos: Wikipedia; http://www.cm-manteigas.pt/; http://www.igespar.pt/ ; http://www.rotasturisticas.com/; http://torreserradaestrela.com/; http://www.seleccoes.pt/; http://covaodaametade.com/; Olhares; Panorâmio; Trekearth; outros.



Foto: Pessoal

Sempre que viajamos seja física ou virtualmente (através por exemplo da leitura), alargamos os nossos horizontes, pois vamos conhecer novos locais, novos costumes, novas realidades e gentes. Aumentamos o nosso conhecimento e enriquecemos interiormente.

11 comentários:

  1. Olá querida Maria, que beleza de lugar! Viajar assim é realmente uma dádiva, mesmo que virtualmente, se nos envolvemos, quase conseguimos sentir os aromas, o vento, e as sensações que sentiste. É maravilhoso mesmo poder fazer parte de coisas tão belas, não é? Gosto muito de fazer essas viagens, e aqui em seu blog essas viagens se tornam sempre expressivas e magníficas. Agradeço sua visita lá no meu cantinho e os votos de melhoras para a pink, um grande abraço e uma otima semana para você.

    ResponderEliminar
  2. Olá amiga Maria!
    Que bom ver aqui as fotos de um lugar que vesito muito vez. Aquele parque já lá fiz belos pic-nics. É um lugar onde a minha alma se sente em páz.

    Muito bom mesmo.
    Um grande beijo e tem uma excelente semana.

    ResponderEliminar
  3. O primeiro foral em 1188! Quase tão antiga como a Fundação da Nacionalidade.

    Adorei esta viagem descrita na primeira pessoa e documentada pelas fotos próprias do local e também pelas da família.

    O Poço do Inferno, o caminho de pedras ladeado pela vegetação e as formações rochosas, fazem-me lembrar outra terra, noutras latitudes.Trouxe-me saudades. :)

    É interessante ver como Manteigas alia à sua antiguidade, que remonta ao 2º rei de Portugal, desportos dos dias de hoje, como, por exemplo o parapente.

    Obrigada.

    Beijos e uma boa semana.

    Olinda

    ResponderEliminar
  4. Visitar...já visitei muitas vezes....mas nunca
    cheguei ao amago de toda essa informação...maneira
    estranha de visitar eu sei....Por isso gostei de calmamente fazer mais uma vez este passeio...Vivi
    na Covilhã....fiz sky, fiz alpinismo no Cantaro Magro, acampei no Covão da Metade...praticamente morei na Serra....e Manteigas fazia parte....Ainda
    hoje por lá passo....em passeios da INATEL.
    Já viu como fiquei....quase a escrever parte da história da minha vida... Obrigado Maria...por
    tão belo Post.Regressei aos meus tempos idos...
    Beijo

    ResponderEliminar
  5. Olá
    Parabéns pelas fotos :)
    Um sorriso :)
    http://obloguedosmanteigas.com/

    ResponderEliminar
  6. Maria querida
    Maravilha de imagens....é uma excelente vizita, passeios maravilhosos que se fazem por essa natureza fora.
    Conheço o Rio e Zêzere já lá fui algumas vezes. é divinal. Obrigado mais uma vez por esta bela viagem.
    Beijinho

    ResponderEliminar
  7. MARIA, agradeço me levar a conhecer mais um pouquinho de Portugal. Como é lindo!

    Beijos
    Paloma

    ResponderEliminar
  8. Maria, que linda viajem! Belíssimas imagens...
    Um grande abraço! Tenha uma linda semana!

    ResponderEliminar
  9. Ai que máximo! Tenho um vídeo com o rapaz que estudou em Coimbra, quando era bem pequenino, a pssar por esse túnel. É quando se desce a serra pelo outro lado. O da Covilhã, naõ é?

    ResponderEliminar
  10. Maria,
    O nosso País tem lugares muito belos.
    Manteigas e toda a zona circundante que nos mostra nestas fotos fantásticas merece mesmo uma visita. A nascente do Zêzere. Que saudade!
    (No sábado estive em Constância precisamente na junção do Zêzere com o Tejo, muito belo também).
    Há muitos anos que não visito Manteigas. Uma excelente ideia para um próximo passeio.
    Grata por partilhar também a sua linda Família.
    Um beijinho e votos de uma semana tranquila.
    Beijinhos,
    Ailime

    ResponderEliminar
  11. Maria...é a primeira vez q visito seu cantinho.....mi apaixonei pelas paisagens...são maravilhosas!!!!! assim tb conheço um pouco de portugal ...muito obrigado pela viagem..... beijos

    ResponderEliminar

“Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós” (Antoine de Saint-Exupery).

Obrigado pela sua visita e pelo carinho que demonstrou, ao dispensar um pouco do seu tempo, deixando aqui no meu humilde cantinho, um pouco de si através da sua mensagem.