segunda-feira, 28 de junho de 2010

Espeleologia - A ciência que estuda as Cavernas

A exploração das cavernas é feita actualmente com interesse científico ou turístico. O desenvolvimento de equipamentos e técnicas de escalada, mergulho e exploração tornaram esta actividade mais segura. Nunca na história da humanidade as cavernas foram tão conhecidas. Pela mesma razão elas nunca estiveram mais ameaçadas.


A ciência que se dedica a estudar a génese, a evolução, o meio físico e biológico do mundo subterrâneo, chama-se espeleologia. Este termo  deriva das raízes gregas spelaion (caverna) e logos (estudo). Criada na França no século XIX por Edouard Alfred Martel (1859 - 1938).


A espeleologia, é uma ciência multidisciplinar que envolve diversos ramos do conhecimento, como a geologia, hidrologia, biologia, paleontologia e arqueologia. Além da importância científica, a exploração de cavernas representa um grande papel no turismo de aventura (ou ecoturismo), sendo uma parte importante da economia das regiões em que ocorrem.


A história da Espeleologia é tão antiga como o próprio Homem. Na pré-história as cavernas foram os primeiros abrigos verdadeiramente eficazes contra o frio que reinava no período das glaciações. São prova disso as inúmeras pinturas rupestres encontradas nestes locais.


Caverna (do latim cavus, buraco), gruna ou gruta (do latim vulgar grupta, corruptela de crypta) é toda cavidade natural rochosa com dimensões que permitam acesso a seres humanos. Podem ter desenvolvimento horizontal ou vertical em forma de galerias e salões. Ocorrem com maior frequência em terrenos formados por rochas sedimentares, mas também em rochas ígneas e metamórficas, além de geleiras e recifes de coral.


São originárias de uma série de processos geológicos que podem envolver uma combinação de transformações químicas, tectónicas, biológicas e atmosféricas.


As cavernas, de acordo com sua formação, são divididas em dois grandes grupos: cavernas primárias e secundárias.

Cavernas primárias
São ditas cavernas primárias aquelas cuja formação é contemporânea à formação da rocha que a abriga.


Cavernas vulcânicas
Em regiões com vulcanismo activo, o escoamento de lava pode formar diversos tipos de cavidades na rocha. Em geral a lava escoa para a superfície através de um fluxo contínuo. À medida que o entorno do fluxo se resfria e solidifica, a lava continua escorrendo por canais, muitas vezes de vários quilómetros de extensão, chamados tubos de lava. Em alguns casos, após o vulcão se tornar inactivo, esses tubos podem ser esvaziados e preservados formando cavidades acessíveis pelo exterior. As mais importantes cavernas desse tipo estão no Havaí e no Quênia. A caverna Kazumura, na Ilha Havaí, próxima a Hilo, com 65 500 m de comprimento e desnível de 1 101 m, é o mais longo e mais profundo tubo de lava do mundo.



Estas cavernas costumam formar salões ou canais de pequenas dimensões. Cavernas de lava não possuem formações exuberantes como as cavernas criadas por dissolução química. Em geral possuem paredes lisas e uniformes, mas em alguns casos possuem escorrimentos, pontas e gotas de lava resfriada.

Cavernas de corais
Cavidades criadas durante o crescimento de recifes de coral por qualquer razão. Uma vez calcificados e litificados os corais, essas cavidades podem ser preservadas e em alguns casos formam galerias ou salões penetráveis de pequenas dimensões dentro do recife.



Cavernas secundárias
Cavernas secundárias são aquelas que se originam após a formação da rocha que as abriga. É o caso mais comum de formação de cavernas e envolvem diversos processos diferentes.


Cavernas cársticas
O processo mais frequente de formação de cavernas é a dissolução da rocha pela água da chuva ou de rios, um processo também chamado de carstificação. Este processo ocorre em um tipo de paisagem chamado carste ou sistema cárstico, terrenos constituídos predominantemente por rochas solúveis, principalmente as rochas carbonáticas (calcário, mármore e dolomitos) ou outros evaporitos, como gipsita. As regiões cársticas costumam possuir vegetação cerrada, relevo acidentado e alta permeabilidade do solo, que permite o escoamento rápido da água.


Cavernas de colapso e erosão mecânica
Alguns minerais não são solúveis em água e não permitem que o processo de casrtificação ocorra. Por exemplo, os quartzos, sílicas e argilitos são pouco solúveis e rochas compostas principalmente por esses minerais, como granitos e arenitos, não permitem a formação de relevo cárstico a não ser em condições muito especiais, como por exemplo algumas regiões de carste em clima semi-árido ou feições típicas de dolinas em arenitos por erosão geoquímica. Neste tipo de rochas, o processo mais comum de formação de cavernas são as fracturas ou colapsos resultantes de actividade tectônica como terremotos.

Cavernas de gelo
Apesar do nome, as cavernas de gelo não devem ser confundidas com as cavernas em glaciares. Cavernas de gelo são cavidades na rocha, formadas por qualquer dos processos descritos acima. Como se localizam em regiões muito frias do globo, elas apresentam temperaturas abaixo de 0 °C durante todo o ano em pelo menos uma parte de sua extensão. Isso provoca o congelamento da água infiltrada pelo solo ou da humidade atmosférica e forma em seu interior diversos tipos de precipitações de gelo que podem ser tão exuberantes como os espeleotemas rochosos.


Cavernas glaciares
Este tipo especial de caverna não é formado na rocha, mas no gelo de glaciares. A passagem da água da parte superior da geleira para o leito rochoso produz tubos que podem ter desenvolvimento horizontal ou vertical. Embora possam permanecer praticamente inalteradas por muitos anos, estas cavernas são instáveis e podem desaparecer completamente ou mudar de configuração ao longo do tempo.


Cavernas marinhas
Cavernas marinhas podem ter diversas configurações, desde cavidades totalmente submersas no leito oceânico até formações parcialmente submersas em paredões rochosos da costa. As primeiras são abismos ou fendas que podem atingir profundidades abissais e são penetráveis por mergulhadores ou veículos submersíveis. Essa cavernas podem ter diversas origens, em geral tectónicas.


As Grutas e Cavernas, locais extraordinários e misteriosos,  são prova viva de como a natureza, com os seus processos, consegue mudar as paisagens transformando o belo em algo ainda mais inacreditável e maravilhoso.


"O que é o homem na natureza? Um nada em relação ao infinito, um tudo em relação ao nada, um ponto a meio entre nada e tudo." (Blaise Pascal)

8 comentários:

  1. Mariiiia!
    Que aula maravilhosa!
    Mais uma vez parabéns!
    Bjkas!
    Boa semana nova!

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  2. Que fascinante...amei as fotos...

    Tenha uma abençoada semana, amiga...plena de alegrias...
    Beijos
    Valéria

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  3. Olá, Maria,
    Parabéns por mais um trabalho de formiga laboriosa e investigadora. Aprendi muito, obrigado.
    A Natureza é, e deveria ser, a preocupação de todos...
    bjis
    J

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  4. Querida amiga Maria, te agradeço o carinho que tens tido com o Devaneios, és uma querida. Teu trabalho nessa postagem é magnifíco, eu sou uma apaixonada por cavernas, principalmente as de origem vulcanica. Tuas fotos são fantásticas, e as explicações brilhantes...Tenha uma linda semana..Beijocas

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  5. Que lindo amiga eu adoro tudo que tem a ver com a Natureza só faltou mesmo ai foi as cavernas dos cristais na Itália.
    Mas é sempre um prazer vir aqui sempre se sai daqui enriquecida.
    Beijinhos de luz e paz

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  6. Olá querida

    Muito linda esta postagem, imagens maravilhosas, a natureza é fantástica é uma criação linda de DEUS.
    Sempre que viajo procuro visitar grutas, vale a pena ter estas recordações.

    Com muito carinho BJS.

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