quarta-feira, 25 de maio de 2011

Paisagem - Poema de Sophia de Mello Breyner Andresen





Passavam pelo ar aves repentinas,
O cheiro da terra era fundo e amargo,
E ao longe as cavalgadas do mar largo
Sacudiam na areia as suas crinas.

Era o céu azul, o campo verde, a terra escura,
Era a carne das árvores elástica e dura,
Eram as gotas de sangue da resina
E as folhas em que a luz se descombina.

Eram os caminhos num ir lento,
Eram as mãos profundas do vento
Era o livre e luminoso chamamento
Da asa dos espaços fugitiva.

Eram os pinheirais onde o céu poisa,
Era o peso e era a cor de cada coisa,
A sua quietude, secretamente viva,
E a sua exalação afirmativa.

Era a verdade e a força do mar largo,
Cuja voz, quando se quebra, sobe,
Era o regresso sem fim e a claridade
Das praias onde a direito o vento corre.

Sophia de Mello Breyner Andresen

20 comentários:

  1. Não há palavras para comentar estes poemas de Sophia Melo Breyner.
    A sua riqueza literária é um facto.

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  2. Maria, esse poema tem um condão de ir além de enlevar-nos. Ele chega a acalmar, tamanha a beleza dessa descrição. LINDO, LINDO, LINDO! Meu abraço. Paz e bem.

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  3. Bom Dia!
    Um dos poemas preferidos.
    Belíssimo.
    E o banco,da imagem???????????
    Beijo.
    isa.

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  4. Bom dia querida Maria!
    Mais um lindo poema que não deixaste passar em vão e o colocas-te para que podessemos ter o prazer de o ler.

    Um belo dia e um bj.

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  5. Olá, Maria

    Um lindo hino à Natureza e a todos os seres vivos, desta grande poetisa.Nestes dias de Sol e cheiros primaveris, apetece andar de cabelos ao vento e apreciar todos e cada um dos presentes que nos são oferecidos.

    Beijos

    Olinda

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  6. Muito lindo o poema, parabéns pela postagem.Beijos

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  7. Espetacular poema e imagem ...Fiquei parada , quase sentei no banco,srsr beijos,chica

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  8. É sempre bom visitar teu blog e ficar encantada...
    Meu carinho e afeto sempre!
    Paz no coração!

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  9. Só pode ter saido da visão interior de grande
    poeta, um poema assim...
    Beijo

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  10. Lindo Maria maravilhoso poema que nos faz sentir suas verdades ,sentindo o vento no rosto a areia
    a brisa do mar para mim não pode existir paisagem mais linda,chego a sentir a brisa e o perfume do mar,é como se o tivesse diante dos olhos.
    parabens querida e obrigaga por compartilhar.
    um abraço com carinho,marlene

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  11. Querida Maria.

    Que poema lindo,parabéns a poeta, que inspiração divina.
    Parabéns, a imagem é linda.
    Que Deus te abençõe em nome de Jesus.
    Beijos.


    http://www.acredite-emvoce.com/

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  12. olá amiga querida, desculpe minha ausencia, é por uma boa causa, muitos beijos terê.

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  13. Querida Maria paz para todos, passei para agradecer a visita e a oferta do mimo, este só quando o neto vir até aquí, agradeço desde logo a tua gentileza Obrigado Maria por compartilhar coisa tão belas, UM abraço carinhoso Celina.

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  14. Maria Querida
    Fiquei sem palavras, porque adoro este poema da Sophia de Mello, nunca encontro as palavras certas para comentar poemas. Amei o poema e as imagens.
    Minha amiga agora só poosso te visitar á noite, problemas com o computador.
    Beijinho

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  15. Boa noite, Maria!
    belo poema...um hino à natureza.
    Gostei muito.
    Beijos,
    Mara

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  16. Sophia Breyner é incomparável!

    dia feliz, Maria.
    Beijinho.

    p.s. reparei que também te levaram os Amigos, que coisa incómoda, estas surpresas de fim de semana!

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  17. Eu vou fazer este tema para apresentar na disciplina de literatura , mas vou ter de saber intreperta-lo , só que nao consigo , alguem me pode ajudar? saber qual é o tema .. ( por ex. tristeza, amor, saudade) .. e o assunto ( dizer o que é que o proprio poema nos tenta transmitir)...

    - Mafalda*

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    1. Mafalda, lamento muito mas não sei como ajudá-la. Espero que consiga encontrar resposta para as suas dúvidas.
      Um abraço
      Maria

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  18. vendo esses poemas lindos,me deu vontade de viajar no tempo,e me sentar neste banco,para escrever as imagens,e pensamentos que estão se passando examente em minha mente.esse lindo lago azul a qual me apixonei.

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  19. Maria
    deixo um abraço!
    procurava um poema da Sofia de Mello Breyner, e este é uma boa ideia para colocar no meu blogue de poesias
    Angela

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