terça-feira, 6 de abril de 2010

Lágrimas ocultas - Poema de Florbela Espanca




Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei, em que era querida,
Parece-me que foi noutras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida ...

E a minha triste boca dolorida,
Que dantes tinha o rir das primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!

E fico, pensativa, olhando o vago ...
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim ...

E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!

Florbela Espanca, in "Livro de Mágoas"

 

8 comentários:

  1. E as lágrimas que choro, branca e calma,
    Ninguém as vê brotar dentro da alma!
    Ninguém as vê cair dentro de mim.

    Solitário, mas muito bonito.

    Parabéns por suas postagens, são todas lindas!
    Beijos, Maria.

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  2. Que lindo... há momentos em nossas vidas que nos acontece o que Florbela lindamente escreveu...choramos por dentro...em nossa alma, e estas são as lágrimas mais dolorosas...
    Beijos amiga...

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  3. Muito lindo, adoro Florbela.
    Boa semana.
    Abs

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  4. Maria, acredita que não conhecia Florbela, quando conheci as palavras dela, me apaixonei, são fortes e sensíveis ao extremo(bom)!LIndas palavras!
    Um beijo da Ju

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  5. Adoro este poema da florbela e quero agradecer pelo comentario deixado .Beijinhos meus .vou ficar seguindo o teu blog, pois gostei muito .

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  6. *
    uma bela opção,
    ,
    as lágrimas de Espanca,
    são cristalinos diamamtes,
    ,
    limpidas conchinhas,
    deixo,
    ,
    *

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  7. Minha querida
    Lindo poema...adoro Florbela.
    deixo um beijinho e o meu carinho.

    Sonhadora

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  8. Amigos, obrigado a todos pela vossa visita e pelas vossas queridas mensagens.
    bjs
    Maria

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