quinta-feira, 4 de março de 2010

Hora que Passa - Poema de Florbela Espanca




Hora que Passa

Vejo-me triste, abandonada e só
Bem como um cão sem dono e que o procura
Mais pobre e desprezada do que Job
A caminhar na via da amargura!

Judeu Errante que a ninguém faz dó!
Minh'alma triste, dolorida, escura,
Minh'alma sem amor é cinza, é pó,
Vaga roubada ao Mar da Desventura!

Que tragédia tão funda no meu peito!...
Quanta ilusão morrendo que esvoaça!
Quanto sonho a nascer e já desfeito!

Deus! Como é triste a hora quando morre...
O instante que foge, voa, e passa...
Fiozinho d'água triste... a vida corre...

Florbela Espanca, in "Livro de Sóror Saudade"




"Nas asas do tempo, a tristeza voa." (Jean de La Fontaine)
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2 comentários:

  1. Olá amiga,muito obrigada por seguires o meu blog,gostei muito dos teus,estão com muito bom gosto,é um espaço muito fresco e agradável.
    Volta sempre,será um prazer receber-te no meu cantinho.
    Um beijinho...MIUÍKA

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  2. Oi amiga, obrigado pela tua mensagem e por seguires o meu blog.
    O teu "cantinho" é uma autêntica delicia e será sempre um grande prazer visitá-lo.
    Um beijinho
    Maria

    ResponderEliminar

“Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós” (Antoine de Saint-Exupery).

Obrigado pela sua visita e pelo carinho que demonstrou, ao dispensar um pouco do seu tempo, deixando aqui no meu humilde cantinho, um pouco de si através da sua mensagem.